
Alexandre de Moraes citou em uma petição um relatório de inteligência da Polícia Federal que classifica o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como “provável alvo estratégico” de uma possível atuação futura de André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A expressão corresponde a uma avaliação da PF reproduzida por Moraes, e não à confirmação de que exista uma investigação formal aberta contra Alcolumbre.
Segundo o trecho citado, a PF avalia que Alcolumbre poderia se tornar relevante pela força política que exerce, pelo controle da pauta do Senado — inclusive sobre pedidos de impeachment de ministros do Supremo — e pelo histórico de atrito com Mendonça. O relatório menciona Antonio Rueda como uma possível “rota de acesso” ao senador e relembra que Alcolumbre dificultou por meses a sabatina de Mendonça quando Jair Bolsonaro o indicou ao STF, em 2021.
O surgimento do nome de Alcolumbre ocorre justamente quando o presidente do Senado passou a defender Moraes publicamente em meio à crise. Nesta semana, ele reagiu às cobranças bolsonaristas por impeachment e lembrou que aliados de Jair Bolsonaro também procuraram Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”. “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.

O relatório citado por Moraes traz ainda outra acusação sensível contra a condução de Mendonça. A PF afirma ter identificado possível “assimetria” entre o tratamento dado pelo ministro a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto. Segundo o documento, Mendonça teria considerado que a atuação de ACM Neto aparentava permanecer dentro dos limites legais, embora a corporação avalie que a situação investigada apresentava “similaridade relevante” com a de Lulinha.
A conclusão dos policiais, reproduzida na petição, é que essa diferença poderia sugerir “standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”. A passagem se soma às críticas já feitas pela direção da Polícia Federal à atuação do relator. Andrei Rodrigues, diretor-geral da corporação, considera que ordens de Mendonça relacionadas a Moraes podem ter criado nulidades e até configurado abuso de autoridade.
Os trechos ampliam a dimensão da disputa entre Moraes, Mendonça e a PF, mas exigem uma distinção central: o relatório descreve avaliações de inteligência sobre possíveis movimentos do relator e questiona sua atuação; não demonstra, por si só, que Mendonça tenha decidido investigar Alcolumbre ou adotado diligências contra ele. A controvérsia passa agora a integrar a crise institucional em torno da condução das apurações do Banco Master.