
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o tom para o segundo turno após ele terminar a primeira etapa da eleição atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia petista passou a enfatizar o risco de perda de programas e benefícios sociais caso o adversário vença a disputa.
Em uma reunião com aliados em Brasília, na noite de segunda-feira (05), Lula defendeu que a campanha apresente os efeitos que uma vitória do candidato de oposição poderia ter na vida da população. Pessoas que participaram do encontro relataram que o presidente quer concentrar a comunicação nos riscos percebidos para políticas hoje tratadas como garantidas.
O PT já começou a colocar a orientação em circulação nas redes sociais. Uma peça divulgada nesta terça-feira (06) traz a frase “algumas perdas não têm volta” e mostra bilhetes com referências ao Pé-de-Meia, ao Mais Médicos e ao reajuste real das aposentadorias.
A campanha pretende disputar os votos de eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno e mobilizar quem deixou de votar. A abstenção alcançou 33 milhões de pessoas; Lula recebeu 45,16% dos votos válidos, ou 53,9 milhões, e Flávio Bolsonaro obteve 47,03%, com 56,1 milhões.
Comunicação do PT entra em revisão no segundo turno
A equipe de Flávio Bolsonaro não respondeu de imediato ao pedido de comentário sobre a nova linha da campanha adversária. Em entrevistas recentes, o senador afirmou que manterá o Bolsa Família caso seja eleito e disse que garantirá o reajuste de 15% anunciado por Lula para o programa pouco antes do primeiro turno.

Aliados de Lula também fizeram uma avaliação crítica da comunicação petista. O presidente teria reclamado da dificuldade para dialogar com jovens e mulheres, enquanto integrantes do partido apontaram que discursos sobre soberania e minerais críticos ficaram distantes de parte do eleitorado.
O publicitário Sidônio Palmeira passou a receber críticas internas, embora não comande formalmente a campanha. Seu sócio, Raul Rebelo, lidera a comunicação eleitoral, e Sidônio participa das decisões; a equipe discute a entrada do publicitário Otávio Antunes, que atuou na campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.
A pressão por maior presença digital também atingiu o próprio Lula, que resiste ao uso intenso das redes sociais. A deputada federal eleita Ana Elisa Silva (PT-MG), de 21 anos, afirmou em vídeo exibido na reunião que “não existe mais separação de redes e ruas”; Paulo Okamotto, coordenador da campanha, disse que o PT vai ampliar o trabalho com influenciadores de esquerda, enquanto Lula afirmou que fará mais vídeos e dará mais entrevistas a rádios.