OAB escolhe advogado réu por compra de sentenças para discutir crise no STF

Diário eletrônico da OAB com ato de criação de grupo de trabalho
Página do diário eletrônico da OAB com ato de criação de grupo de trabalho. Foto: Reprodução

O presidente da OAB do Tocantins, Gedeon Batista Pitalunga Júnior, passou a integrar um grupo de trabalho criado pela Ordem para analisar eventuais medidas relacionadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro. Pitalunga é réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em uma ação sobre suspeita de venda de decisões judiciais no Tocantins, segundo a coluna de Tácio Lorran no Metrópoles.

A OAB criou o grupo em 10 de setembro. O ato publicado no diário eletrônico da entidade incluiu Pitalunga entre os integrantes encarregados de examinar possíveis providências contra os ministros e Gonet.

O processo no STJ apura um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais. As investigações surgiram na Operação Toth, deflagrada pela Polícia Federal em 2018, e ganharam novos desdobramentos na Operação Madset, realizada em abril de 2020.

Em acórdão de 2020, o STJ registrou que uma conversa encontrada em um celular apreendido pela Polícia Federal indicava que o desembargador Ronaldo Eurípedes de Souza ordenou a um assessor que recolhesse pessoalmente R$ 20 mil com Pitalunga. A decisão também citou movimentações bancárias consideradas suspeitas envolvendo o advogado e seu escritório.

Ministros do Supremo Tribunal Federal. Foto: Gustavo Moreno/STF

Denúncia atribui pagamentos por decisões favoráveis

Na Operação Madset, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão, inclusive em endereço ligado a Pitalunga, que já presidia a seccional tocantinense da OAB. A apuração alcançou suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.

Em denúncia apresentada ao STJ em 2021, a Procuradoria-Geral da República acusou Pitalunga de realizar pagamentos indevidos a Ronaldo Eurípedes para obter decisões favoráveis a uma empresa que disputava uma licitação da coleta de lixo em Palmas, em 2015. O tribunal ainda analisa o caso.

Pitalunga também recebeu condenação por estelionato em junho de 2021. A 4ª Vara Federal Criminal de Palmas fixou pena de três anos e meio de prisão, em regime inicial aberto, em processo sobre o uso de documentos falsos para representar judicialmente um suposto filho de uma mulher morta sem herdeiros.

Procurado pela assessoria de imprensa da OAB do Tocantins, Pitalunga não respondeu. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa e da seccional.

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