
Criminosos usam o TikTok como vitrine para direcionar interessados à compra de conteúdo de abuso sexual infantil em grupos, conversas privadas e robôs de venda no Telegram. Os pacotes custam a partir de R$ 10 e podem chegar a R$ 150, com pagamentos por PIX, cartão e criptomoedas. Com informações do g1.
Foram localizados ao menos 35 links publicados no TikTok que levavam a essa rede de comercialização. Embora os vídeos nas contas nem sempre mostrem relação direta com o material anunciado, comentários indicam perfis e endereços que conduzem usuários ao Telegram ou a sites externos.
Parte dos links contém a palavra invite, que significa convite, seguida de um código para acesso a páginas no Telegram. Nesses espaços, os vendedores exibem prévias do que anunciam e encaminham compradores a grupos fechados, bots ou chats individuais.
Em um dos endereços identificados, um pacote com 3 GB de vídeos e imagens era oferecido por R$ 10, enquanto outro, de 15 GB, custava R$ 35. Outro site cobrava até US$ 25, cerca de R$ 130, por acesso a um grupo privado com milhares de arquivos.
PIX deixa rastros para identificação de compradores e vendedores
Antes da negociação, criminosos enviam prévias por vídeos autodestrutivos, apagados após a primeira visualização. Depois, fornecem uma chave PIX e mandam os arquivos pela própria conversa após a confirmação do pagamento.
⚠️ Aviso: conteúdo sensível – TikTok é usado por criminosos para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram; g1 monitorou perfis https://t.co/IyDbgj1MlI #g1 pic.twitter.com/6FY5bcPeh1
— g1 (@g1) September 25, 2026
Investigadores da Polícia Federal ouvidos pela reportagem afirmam que o uso do PIX indica uma falsa sensação de segurança. Vendedores recorrem a contas de terceiros, laranjas, ex-parceiras e até vítimas ou familiares para receber os valores.
As transferências, porém, registram dados de quem paga e de quem recebe, o que permite à polícia rastrear os envolvidos. Bancos também podem identificar movimentações incomuns, como depósitos vindos de diversas regiões, e bloquear contas suspeitas.
Desde o início de agosto, a legislação prevê de quatro a dez anos de reclusão e multa para quem produz ou vende conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes. Quem compra, possui ou armazena esse material pode receber pena de três a seis anos de prisão, além de multa.
A lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 6 de agosto de 2026, passou a usar a expressão “violência sexual contra criança ou adolescente” no lugar de “pornografia”. A norma também abrange registros audiovisuais com crianças ou adolescentes reais ou fictícios, inclusive conteúdos gerados por inteligência artificial.
O Telegram declarou que removeu mais de 339 mil grupos e canais ligados a esse tipo de material em 2026 e afirmou que compara mídias públicas com bancos de hashes de conteúdos já identificados. O TikTok disse que bane permanentemente contas envolvidas e informou que removeu proativamente 99,8% dos conteúdos que violaram suas regras sobre abuso sexual e físico de jovens no primeiro trimestre de 2026.
Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100, de forma anônima, e pelo telefone 190 quando houver risco imediato. Denúncias também podem ser feitas em delegacias, no Ministério Público, em conselhos tutelares e por profissionais de saúde.