
Um escritório de advocacia com filial na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, aparece ligado ao registro nos Estados Unidos da Rockbridge Brazil, empresa apresentada como braço brasileiro da rede conservadora americana Rockbridge. O caso ganhou relevância porque o PT levou ao Judiciário suspeitas de atuação do grupo em favor da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Com informações de Folha de S.Paulo.
A Rockbridge Brazil foi aberta em maio no estado de Wyoming sob responsabilidade de Chris Applegate, assessor do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. O e-mail de contato informado no cadastro pertence ao advogado Stephen Wade Angus, sócio do Jones Day, escritório que mantém unidade no edifício Plaza Iguatemi, na Faria Lima.
No registro estadual, a empresa Cogency Global aparece como representante comercial da Rockbridge Brazil, enquanto Applegate figura como “organizer”, função semelhante à de quem organiza a abertura de uma empresa. A legislação de Wyoming não obriga a divulgação dos proprietários da companhia.
Angus atua nas áreas de fusões e aquisições e consta como diretor da Jones Day Serviços de Consultoria Ltda., empresa aberta em São Paulo em 2009. Ele também integra o conselho diretor da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, conforme informações da entidade.
Grupo mantém contatos no Brasil e entra no alvo de ações eleitorais
A Rockbridge Network foi cofundada por Vance e reúne empresários do Vale do Silício, entre eles o bilionário Peter Thiel. O grupo defende pautas da direita radical e iniciou conversas para se instalar no Brasil, com contatos com empresários e políticos, mas interrompeu o processo por causa da eleição.

O candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, afirmou que o empresário Pedro Sang estaria associado à Rockbridge e atuaria na campanha de Flávio Bolsonaro. Ele também apontou Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e da G4 Educação, como um elo da organização no país e atribuiu ao grupo interesse em terras raras.
Gomes confirmou que participa da Rockbridge, mas negou exercer funções de gestão ou representação. “Não integro a campanha de Flávio Bolsonaro ou de outros candidatos, não arrecadei nem doei recursos eleitorais”, afirmou em nota. Pedro Sang negou associação ao grupo e disse que a iniciativa de trazê-lo ao Brasil está suspensa desde maio.
A campanha de Flávio Bolsonaro negou uso de recursos estrangeiros, proibido pela legislação eleitoral, e declarou desconhecer publicações pagas no exterior que divulgaram projeções favoráveis ao senador em sites de apostas. O PT pediu ao TSE e ao STF a abertura de inquérito, esclarecimentos dos envolvidos e colaboração internacional para rastrear os pagamentos dessas mensagens.