Criminosos usam TikTok para atrair compradores de material de abuso infantil

Arte sobre venda de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram
Anúncios de venda de conteúdo de abuso sexual infantil em grupos e chats do Telegram. Foto: Reprodução/G1

Criminosos usam o TikTok como vitrine para direcionar interessados à compra de conteúdo de abuso sexual infantil em grupos, conversas privadas e robôs de venda no Telegram. Os pacotes custam a partir de R$ 10 e podem chegar a R$ 150, com pagamentos por PIX, cartão e criptomoedas. Com informações do g1.

Foram localizados ao menos 35 links publicados no TikTok que levavam a essa rede de comercialização. Embora os vídeos nas contas nem sempre mostrem relação direta com o material anunciado, comentários indicam perfis e endereços que conduzem usuários ao Telegram ou a sites externos.

Parte dos links contém a palavra invite, que significa convite, seguida de um código para acesso a páginas no Telegram. Nesses espaços, os vendedores exibem prévias do que anunciam e encaminham compradores a grupos fechados, bots ou chats individuais.

Em um dos endereços identificados, um pacote com 3 GB de vídeos e imagens era oferecido por R$ 10, enquanto outro, de 15 GB, custava R$ 35. Outro site cobrava até US$ 25, cerca de R$ 130, por acesso a um grupo privado com milhares de arquivos.

PIX deixa rastros para identificação de compradores e vendedores

Antes da negociação, criminosos enviam prévias por vídeos autodestrutivos, apagados após a primeira visualização. Depois, fornecem uma chave PIX e mandam os arquivos pela própria conversa após a confirmação do pagamento.

Investigadores da Polícia Federal ouvidos pela reportagem afirmam que o uso do PIX indica uma falsa sensação de segurança. Vendedores recorrem a contas de terceiros, laranjas, ex-parceiras e até vítimas ou familiares para receber os valores.

As transferências, porém, registram dados de quem paga e de quem recebe, o que permite à polícia rastrear os envolvidos. Bancos também podem identificar movimentações incomuns, como depósitos vindos de diversas regiões, e bloquear contas suspeitas.

Desde o início de agosto, a legislação prevê de quatro a dez anos de reclusão e multa para quem produz ou vende conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes. Quem compra, possui ou armazena esse material pode receber pena de três a seis anos de prisão, além de multa.

A lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 6 de agosto de 2026, passou a usar a expressão “violência sexual contra criança ou adolescente” no lugar de “pornografia”. A norma também abrange registros audiovisuais com crianças ou adolescentes reais ou fictícios, inclusive conteúdos gerados por inteligência artificial.

O Telegram declarou que removeu mais de 339 mil grupos e canais ligados a esse tipo de material em 2026 e afirmou que compara mídias públicas com bancos de hashes de conteúdos já identificados. O TikTok disse que bane permanentemente contas envolvidas e informou que removeu proativamente 99,8% dos conteúdos que violaram suas regras sobre abuso sexual e físico de jovens no primeiro trimestre de 2026.

Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100, de forma anônima, e pelo telefone 190 quando houver risco imediato. Denúncias também podem ser feitas em delegacias, no Ministério Público, em conselhos tutelares e por profissionais de saúde.

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