
A Rússia acusou os Estados Unidos de violar suas obrigações como país anfitrião da Organização das Nações Unidas ao negar um visto a Alexander Alimov, vice-ministro das Relações Exteriores russo. A restrição impede a participação do diplomata em atividades da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou a decisão como “mais um ato hostil”. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (22), ele afirmou que a medida contraria os deveres estadunidenses diante da sede das Nações Unidas.
“Essas ações contradizem as obrigações dos Estados Unidos como país anfitrião da sede da ONU”, disse Peskov, segundo a agência estatal russa TASS. O porta-voz sustentou que Washington não deveria impedir representantes estrangeiros de participar das atividades da organização.
“O país que abriga a sede da ONU não deve permitir tais ações”, acrescentou Peskov. O governo estadunidense não informou o motivo da negativa nem comentou publicamente a acusação russa.

ONU já havia cobrado emissão de vistos pelos Estados Unidos
Em maio, o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, lamentou o caso e defendeu que o país anfitrião conceda os documentos necessários para delegações participarem das reuniões na sede da entidade.
“Esperamos que o país anfitrião emita vistos para todos aqueles que precisam participar das atividades das Nações Unidas em nossa sede aqui”, declarou Haq na ocasião.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, deve participar do evento. A TASS informou que ele pretende se reunir nesta terça-feira (22) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, mas Washington não confirmou o encontro.
A Assembleia Geral reúne os 193 Estados-membros da ONU todos os anos para discutir conflitos, economia, meio ambiente e cooperação internacional. O Brasil tradicionalmente abre a sessão de líderes, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala antes do presidente dos EUA.