Por que Nunes Marques decidiu não participar do julgamento de Moraes

Kassio Nunes Marques
Kassio Nunes Marques. Foto: Reprodução

O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento que decidirá se Alexandre de Moraes deve ser investigado por sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele afirmou que priorizaria a condução equilibrada das eleições de 2026.

Ao anunciar o afastamento, Nunes Marques disse não se sentir confortável em votar em um processo com potencial de interferir no cenário político a 19 dias das eleições. “Eu entendo que essa missão é mais importante, que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026”, afirmou.

Segundo a coluna de Matheus Leitão no Metrópoles, técnicos do TSE aconselharam o ministro a não participar do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação era que seu voto poderia abrir margem para um impedimento posterior em ações eleitorais relacionadas aos efeitos políticos do caso.

A preocupação envolvia a possibilidade de levar a controvérsia do STF ao tribunal responsável por organizar o pleito. Antes da sessão, a possibilidade de afastamento de Nunes Marques já circulava entre integrantes envolvidos nas discussões sobre o caso.

Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Foto: Reprodução

Ministro nega contatos e ligação do filho com o Banco Master

Nunes Marques também respondeu às suspeitas relacionadas a ele. O ministro disse que nunca trocou mensagens com Vorcaro, nunca julgou processo ligado ao Banco Master e negou que seu filho, o advogado Kevin Marques, tenha prestado serviços ou recebido recursos da instituição.

Mensagens trocadas entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil e incluem o nome e o telefone de Kevin Marques. As conversas, por si só, não comprovam que o advogado tenha recebido esse valor.

Kevin Marques reconheceu ter recebido R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência Tributária. Ele sustenta que o dinheiro remunerou serviços jurídicos e não teve relação com o Banco Master nem com processos no Supremo.

Dias Toffoli também deixou o julgamento. Embora tenha dito em março que uma decisão transitada em julgado afastava hipóteses de suspeição ou impedimento nos processos da Operação Compliance Zero, o ministro se declarou suspeito por motivo de foro íntimo e não participará da análise.

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