
O ministro Flávio Dino afirmou nesta terça (15), durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), que a Operação Lava Jato produziu “desastres institucionais” e cobrou aprendizado do Judiciário. A fala ocorreu no julgamento que discute a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suas mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Dino também citou o que definiu como “combate seletivo à corrupção” no país. “É uma marca brasileira. A corrupção de alguns gera mais comoção do que a corrupção de outros. E essa seletividade é deletéria ao país, como a história mostra”, disse.
Ao abordar a Lava Jato, o ministro disse que ela deixou problemas institucionais. “Não é possível que não haja uma curva de aprendizado quanto a isto. Coletivo, inclusive para o Judiciário”, afirmou.
O ministro mencionou ainda a existência de “processos zumbis” no STF, que, segundo ele, permanecem no tribunal sem uma definição sobre seu encerramento. A declaração integrou seu voto em uma questão de ordem sobre manter ou separar as análises dos casos de Moraes e do ministro André Mendonça.
Flávio Dino citou a Lava Jato ao defender o devido processo legal no caso Master. “Se você não tem rito, você tem dois pesos e duas medidas, que é a negação da Justiça”, afirmou. O ministro também falou em “desastres institucionais” decorrentes do abandono das regras processuais pic.twitter.com/z8xs8CGAbf
— Migalhas (@PortalMigalhas) September 15, 2026
STF discute relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro
O julgamento examina relatório da Polícia Federal que registrou mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso em investigação sobre fraudes financeiras bilionárias. É a primeira vez que o STF decide se abre investigação contra um de seus próprios ministros.
A Polícia Federal apontou oito encontros entre Vorcaro e Moraes e disse que o banqueiro pediu ajuda ao ministro para conter medidas contra o banco. O documento também menciona a análise de um contrato de R$ 130 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Moraes negou ter favorecido Vorcaro ou o Banco Master. Em manifestação enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, ele classificou como inconstitucional e ilegal a decisão de Mendonça relacionada ao caso.
Dias Toffoli e Nunes Marques decidiram não votar. Toffoli declarou suspeição por questões de foro íntimo, enquanto Nunes Marques afirmou que se afastaria da votação após investigações citarem supostas mensagens entre seu filho e Vorcaro, além da indicação de um pagamento de R$ 500 mil; o ministro negou contatos do filho com o banqueiro.