
Senadores bolsonaristas que disputam as eleições pretendem evitar críticas públicas ao projeto que acaba com a escala 6×1, cuja votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado está marcada para esta quarta-feira (02). Diante do apoio popular à proposta, integrantes do grupo admitem risco de desgaste eleitoral e avaliam votar a favor da medida no plenário ou não protagonizar a resistência, segundo a Folha de S.Paulo.
A estratégia transfere o confronto na CCJ para parlamentares menos expostos nas urnas, como o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Dr. Hiran (PP-RR) e Tereza Cristina (PP-MS). Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), que está no fim do mandato e decidiu não concorrer, também pode atuar para dificultar o avanço da proposta.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, não declarou oposição ao fim da escala 6×1 e deve faltar à sessão. Ele estará na Expointer, em Esteio, no Rio Grande do Sul, e não poderá participar remotamente porque a reunião será exclusivamente presencial. Questionado nesta terça-feira (01), respondeu: “Primeiro vota a nossa proposta, depois vê o que faz. Vocês estão querendo arrancar uma palavra da minha boca, o que vocês querem é a resposta que eu não vou dar para vocês”.
Um senador do PL que pediu anonimato afirmou que seguirá a orientação partidária e votará contra a proposta, mas não pretende discursar, apresentar emendas ou atrasar a análise. Marinho, por sua vez, indicou que pedirá vista para ampliar a discussão: “Nós vamos votar para que haja uma preferência pelo nosso projeto, que é o projeto que trata da jornada flexível. Vamos usar o regimento”.

Mudanças na CCJ reduzem exposição de candidatos
A proximidade da votação provocou alterações na composição da comissão. Marcos Rogério (PL-RO), candidato ao governo de Rondônia, deixou o colegiado nesta terça-feira. Esperidião Amin (PP-SC), que disputa a reeleição contra Carlos Bolsonaro (PL) e Caroline De Toni (PL), passou de titular a suplente e abriu espaço para Laércio Oliveira (PP-SE), que está na metade do mandato.
Tereza Cristina também substituiu Ciro Nogueira (PP-PI), candidato à reeleição, e deve orientar a bancada do PP a votar contra o projeto. Os parlamentares encarregados da oposição pública alegam que a mudança pode causar impactos graves em empresas grandes e pequenas e criticam a tramitação sem uma avaliação mais ampla dos efeitos em setores como o aéreo.
Pesquisa Quaest divulgada em julho apontou que 69% dos brasileiros apoiam o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso. O levantamento também indicou que 75% sabiam que a proposta havia passado pela Câmara dos Deputados e seguia para análise do Senado. O presidente Lula (PT) explorou o tema na propaganda eleitoral: “Trabalhar seis dias para folgar um não é viver, é sobreviver. Enviei ao Congresso o projeto que acaba com a escala 6×1 sem redução de salário. Infelizmente, meus adversários estão fazendo de tudo para não aprovar a lei. Eles jogam contra o trabalhador”.
O relator Omar Aziz (PSD-AM) interrompeu sua campanha ao governo do Amazonas para acompanhar a PEC, enquanto Rogério Carvalho (PT-SE), candidato à reeleição, recebeu a relatoria da PEC da segurança pública. Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, indicou que o plenário analisará o fim da escala 6×1 somente depois das eleições. Na CCJ, Otto Alencar (PSD-BA) afirmou que concederá apenas uma ou duas horas em caso de pedido de vista e retomará a votação depois desse prazo.