Estudante de Direito preso ao se passar por juiz declarou fortuna de R$ 91,65 milhões

Selmo dos Santos Pereira, estudante de Direito preso em São Paulo
O estudante de Direito Selmo dos Santos Pereira, de 53 anos. Foto: Reprodução

Policiais militares prenderam o estudante de Direito Selmo dos Santos Pereira, de 53 anos, na noite de segunda (31), em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, depois que ele se apresentou como juiz criminal durante uma abordagem.

Em 2010, Selmo tentou concorrer a deputado federal por São Paulo pelo então Democratas (DEM). Ele declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 91,65 milhões, o sexto maior entre os candidatos ao cargo naquele ano. A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo contestou a candidatura e pediu a impugnação, o que o impediu de disputar a eleição.

O principal bem da declaração era a Unilma, apresentada como uma instituição de ensino avaliada em R$ 80 milhões, da qual Selmo dizia ser “reitor fundador”. A entidade tinha uma ata registrada em cartório, mas não possuía registro no Ministério da Educação. Uma transportadora vinculada ao nome dele não constava na relação de bens e tinha como endereço um sobrado inacabado onde vivia sua mãe, na Zona Leste de São Paulo.

Na época, o advogado André Luiz Stival informou que Selmo estava havia seis meses no Centro de Detenção Provisória 4 de Pinheiros e respondia a uma acusação de estelionato. Selmo não tinha registro de advogado na OAB de São Paulo e permanecia inscrito como estagiário, com a licença suspensa. A Justiça paulista também o condenara a pagar R$ 50 mil a uma mulher que o contratou por R$ 30 mil para atuar em um processo de despejo.

Selmo voltou a disputar uma eleição em 2012, quando concorreu à Prefeitura de Juquitiba, na Região Metropolitana de São Paulo, pelo Partido Republicano Progressista (PRP). Ele recebeu 44 votos e declarou patrimônio de R$ 2,2 milhões, valor R$ 89,45 milhões inferior ao informado dois anos antes.

Patrimônio declarado de Selmo dos Santos Pereira. Foto: Reprodução

A polícia registrou o caso como uso de documento falso e recaptura de procurado. A abordagem ocorreu por volta das 21h30, na região do Jardim do Mar, após agentes do 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano identificarem um veículo acima da velocidade permitida. Selmo entregou um documento em nome de Jarbas Luiz dos Santos, com sinais de adulteração, e afirmou que atuava como juiz da 3ª Vara Criminal de Santo André e professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.

Uma mulher que passava pelo local reconheceu Selmo e disse aos policiais que ele era estudante de Direito da instituição. Outra equipe localizou, em São Caetano do Sul, o verdadeiro magistrado cujo nome ele usava. O juiz confirmou a identidade na delegacia e relatou uma tentativa de compra de imóvel em seu nome; a polícia ainda apura uma possível ligação entre os episódios.

As impressões digitais permitiram que os policiais identificassem Selmo na delegacia. Uma consulta aos sistemas revelou uma ordem de prisão em aberto por condenação por estelionato e crime eleitoral, com pena ainda a cumprir em regime fechado. Ele permanece à disposição da Justiça, e sua defesa não havia se manifestado até a publicação.

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