Centrais sindicais convocam ato contra a insuportável política de juros

As centrais sindicais realizarão um ato contra os juros altos nesta terça-feira (28), em frente à sede do Banco Central, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), a partir das 10h. A iniciativa visa cobrar do Comitê de Política Monetária (Copom) uma redução consistente da taxa Selic, hoje em 14,75% ao ano.

Na quarta-feira (29), será anunciada a nova decisão sobre os juros. O mercado financeiro projeta um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo os juros para 14,5% ao ano. Caso o corte seja efetivado, será o segundo consecutivo. No entanto, ainda estará aquém do esperado pela classe trabalhadora.

No último dia 18 de março, o Comitê realizou a primeira redução da Selic (de 15% para 14,75% ao ano) desde maio de 2024, quando a taxa havia sido reduzida de 10,75% para 10,5% ao ano. Após isso, a Selic permaneceu nesse patamar por mais duas reuniões, até o início do ciclo de alta em setembro, que elevou a taxa de juros até 15% ao ano, patamar mantido por cerca de nove meses.

Mobilização permanente contra os juros altos

Os atos na Avenida Paulista contra os juros altos fazem parte da agenda de lutas mantida pelas centrais sindicais ao longo dos últimos anos, desde que os juros começaram a subir com o antigo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ainda na gestão de Jair Bolsonaro. A saída de Neto, no entanto, não correspondeu às expectativas depositadas em Gabriel Galípolo, que manteve a agenda pró-mercado e contrária ao desenvolvimento do país.

Leia mais: Lula sobe tom contra Banco Central após corte da Selic abaixo do esperado

Nesse sentido, CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Força Sindical, CUT, UGT, Nova Central, CSB, Intersindical e Pública permanecem nas ruas pela unidade nacional sindical contra os juros excessivos, que comprometem os setores produtivos nacionais e, consequentemente, atuam como uma âncora para o crescimento.

Juros inaceitáveis

Insuportável, sufocante, abusivo, extorsivo. Todos esses adjetivos se somam a “inaceitável”, palavra mais utilizada pelas centrais sindicais para classificar os juros praticados no Brasil.

De acordo com o movimento sindical, a redução da Selic é urgente para impulsionar a economia, pois o patamar elevado em que os juros são mantidos (correspondendo à segunda maior taxa de juros reais do mundo), desestimula investimentos, o que penaliza diretamente a geração de empregos qualificados e o aumento de renda para os trabalhadores.

Nesse sentido, o ato não visa somente pressionar por cortes mais robustos na Selic, mas também suscita uma revisão mais aprofundada por parte da diretoria do BC sobre a condução da política monetária nacional, de forma que acompanhe o momento econômico brasileiro e atenda aos anseios da população.

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