As empresas que estão por trás da “Times Square de SP”

Projeto da “Times Square de SP” feito por inteligência artificial. Foto: Reprodução

A região da famosa esquina entre as avenidas Ipiranga e São João, no centro de São Paulo, terá uma “Times Square paulistana”, em mais uma fraude para favorecer a especulação imobiliária. O projeto do Boulevard São João, defendido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), prevê a instalação de quatro painéis de LED no centro de São Paulo em troca de intervenções urbanas avaliadas em cerca de R$ 6 milhões.

A proposta é liderada pelas empresas Fábrica de Bares, de São Paulo, e LedWave, de Goiânia. Além dos painéis publicitários, que terão até 30% de conteúdo destinado à publicidade, a contrapartida para a exploração comercial da área deve incluir a instalação de bancos nas calçadas e a restauração de elementos históricos, como a fachada pichada de uma igreja católica.

O projeto, batizado de Boulevard São João, tem um custo estimado em R$ 48,6 milhões, sendo que R$ 6 milhões serão destinados às obras de revitalização. A ideia inicial era que os painéis estivessem prontos para a Copa do Mundo de 2026, mas agora a previsão é que sejam inaugurados apenas em agosto deste ano.

“É óbvio que nós queremos buscar o lucro. Mas eu falo e repito: o mais importante é o propósito, e ele está acima dos números. O plano é o lucro em si, porque se o empresário não tiver lucro, ele não consegue investir. E a nossa ideia é não parar nesse projeto, é ter outros projetos”, disse Álvaro Aoas, 63, dono da Fábrica de Bares, durante entrevista coletiva de apresentação da iniciativa, com a presença de Tarcísio e do prefeito Ricardo Nunes.

“Então a gente acredita muito que, daqui a dez anos, vamos olhar para trás e falar: ‘olha a semente que a gente plantou, olha como a gente conseguiu ser transformador’”, disse ele. “Ah, tem a questão financeira, tem questão de números, tem tudo isso, mas não acho que seja o mais importante neste momento.”

O CEO da LedWave, Tiago Brito, acredita que a tecnologia usada no projeto tem o potencial de atrair mais pessoas para o centro de São Paulo, que continuou abandonado pelas gestões de Nunes e Tarcísio.

“O que os endereços mais importantes do mundo têm em comum? Muita luz, muito brilho. O que atrai as pessoas para essas esquinas globalmente falando? São os telões que trouxeram as pessoas ou são as pessoas que vão atrás dessa luz, desse brilho? Para a gente pouco importa. O que importa são pessoas se conectando com pessoas, com projetos, com locais instagramáveis. E é isso que a gente tem pra entregar pra cidade”, disse ele.

A flexibilização da Lei da Cidade Limpa, que proíbe a instalação de placas publicitárias em áreas visíveis da cidade, gerou controvérsias. No entanto, a parceria foi aprovada pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), que regulamenta a publicidade externa em São Paulo.

Para o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o projeto não fere a legislação, pois há uma previsão legal para esse tipo de concessão. “Nós passamos dois anos discutindo esse assunto. Ele passou por todas as comissões e foi aprovado. A lei da Cidade Limpa tem apoio popular, e tem nosso apoio”, afirmou Nunes.

As contrapartidas exigidas pelo município incluem a restauração da fachada da Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, uma edificação histórica e simbólica para a população negra da cidade, que tem sido alvo constante de pichações.

“Essa igreja é um quilombo urbano que está esquecido pelo poder público. Ela é um pilar da cultura e da resistência negra”, diz Vanilda Aparecida Jeremias, 63, diretora da irmandade.

“Ficamos dois anos negociando a restauração com a prefeitura, e então surgiu a oportunidade dessa parceria. O ideal seria ter uma grade para cercar a igreja à noite, porque senão ela será pichada de novo”, conclui ela.

A igreja, tombada pelo patrimônio histórico municipal, e a estátua da Mãe Preta, também nas proximidades, serão restauradas como parte do projeto. Além disso, a empresa deverá realizar a manutenção do Relógio de Níchile, localizado na Praça Antônio Prado, importante marco histórico da cidade.

Entidades de preservação do patrimônio, como o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), expressaram que não foram consultadas sobre a aprovação do projeto.

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