VÍDEOS: Colonos israelenses agridem prefeito francês e Netanyahu põe ataque em dúvida

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Colono israelense aponta uma arma durante ataque a palestinos em Abu Falah, na Cisjordânia ocupada, em 16 de outubro. Foto: Ammar Awad/Reuters

Colonos israelenses atacaram uma comitiva europeia e agrediram o prefeito francês Bernard Baudoux neste sábado (17), nas proximidades de Taybeh, na Cisjordânia ocupada. A delegação acompanhava a colheita de azeitonas em solidariedade aos palestinos. Mesmo diante das imagens e dos relatos das vítimas, o gabinete de Benjamin Netanyahu colocou o ataque em dúvida e insinuou uma campanha de difamação contra Israel.

Um dos vídeos registra homens mascarados cercando e abordando um veículo, filmados de dentro do carro. Outro mostra Baudoux, com a faixa tricolor de prefeito, caído ao lado de uma caminhonete. A comitiva reunia representantes da França, Bélgica e Polônia, além de religiosos católicos. Um veículo da missão belga teve uma janela quebrada.

Baudoux, de 78 anos, é prefeito de Aulnoye-Aymeries, no norte da França. À Reuters, afirmou que colhia azeitonas com a comunidade palestina quando foi violentamente atacado por colonos mascarados. “Fui jogado no chão”, relatou. A AFP também confirmou sua identidade nas imagens que o mostram caído junto ao veículo.

A agressão ocorreu um dia depois do ataque à fotojornalista estadunidense Heidi Levine, do Washington Post, enquanto acompanhava palestinos na colheita de azeitonas perto de Abu Falah. Ela relatou ter sido empurrada e chutada repetidamente por homens mascarados. Um vídeo obtido pela Reuters mostrou a profissional caída antes de ser socorrida e levada a um hospital. Testemunhas também relataram ataques com pedras e incêndios em oliveiras.


Na resposta publicada pelo gabinete de Netanyahu, o governo chamou o episódio de “suposto ataque” e escreveu: “Acusações sérias exigem provas sérias”. A nota reconheceu a existência de imagens de homens mascarados, de uma janela quebrada e de uma pessoa no chão, mas sustentou que esses registros, isoladamente, não estabelecem toda a sequência dos acontecimentos nem a responsabilidade individual.

O gabinete também destacou que Baudoux é um prefeito comunista e que havia hasteado uma bandeira palestina em seu município. Acrescentou que a visita não fora previamente coordenada com o Exército israelense. Assim, a resposta deslocou parte da atenção das agressões para a posição política de uma das vítimas e para as condições em que a delegação entrou no território ocupado.

A manifestação foi além: sugeriu uma “campanha coordenada para difamar Israel”, sem apresentar provas dessa suposta articulação. Também pediu que jornalistas evitassem conclusões precipitadas e alertou para danos à reputação do país. A nota anunciou uma investigação policial, mas tratou as denúncias confirmadas por representantes europeus como possíveis instrumentos de uma ofensiva contra a imagem israelense.

O ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prévot, confirmou o ataque e cobrou responsabilização. Disse que os palestinos enfrentam essa violência diariamente e que Israel, como potência ocupante, deve proteger moradores, jornalistas e diplomatas. “A impunidade dos colonos violentos precisa acabar”, afirmou. O ministro também anunciou que continuará pressionando por sanções europeias contra os responsáveis e seus apoiadores, vinculando a violência à política de assentamentos ilegais.

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