
Flávio Bolsonaro (PL) usou a sabatina da TV Globo, na sexta-feira (16), para acusar o governo Lula de prejudicar motoboys ao impedir a ampliação da Faixa Azul em São Paulo. O programa defendido pelo candidato, porém, enfrenta questionamentos sobre segurança: um relatório da própria prefeitura registra aumento de mortes nas vias analisadas após a implantação da sinalização. O senador introduziu o assunto quando Renata Lo Prete perguntava sobre a punição aos envolvidos no 8 de Janeiro.
Segundo a coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, o balanço elaborado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aponta 57 mortes antes da instalação e 68 depois, uma alta de 19,2%. A comparação utiliza intervalos equivalentes para cada via, com dados até dezembro de 2025. Os números são totais das vias estudadas e não demonstram, isoladamente, que a sinalização causou o aumento.
Entre os pedestres, as mortes passaram de dez para 25, crescimento de 150%. O documento também registra aumento de 17,5% nos sinistros fatais envolvendo motocicletas. Já o número de vítimas não fatais nas vias analisadas subiu de 2.455 para 2.840, uma elevação de 15,6%.
Flávio Bolsonaro usa a sabatina da Globo para negar a tentativa de golpe do 8 de janeiro, agindo quase como um animal virulento para cima de Lo Prete pic.twitter.com/aSEQxUhJFx
— deok (@lauricadeok) October 17, 2026
A gestão Ricardo Nunes (MDB) sustenta que o projeto melhora a segurança. Em divulgação oficial sobre o segundo relatório consolidado, a CET informa redução de 26,6% na média da taxa de severidade dos sinistros com motos. Esse indicador atribui pesos diferentes a ocorrências com feridos e mortes e considera o volume de veículos, o período de análise e a extensão dos trechos.
A classificação usada para sustentar a avaliação positiva é questionável, já que registros sem informação sobre a localização exata dos acidentes foram incorporados ao grupo de ocorrências “fora da Faixa Azul”. A prática aumenta esse conjunto e compromete a comparação com os casos identificados como ocorridos dentro da sinalização.
A ampliação depende de autorização federal porque a Faixa Azul funciona como projeto experimental, sujeito à avaliação da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). O relatório municipal integra esse processo. A prefeitura apresentou os dados para defender a continuidade e a expansão da iniciativa, enquanto Flávio Bolsonaro atribuiu o impasse a uma suposta perseguição política de Lula a Nunes, seu aliado.
A Senatran informou que analisa os relatórios enviados pelos municípios para verificar a consistência das informações e reunir evidências técnicas. Essa avaliação deverá orientar a decisão sobre a continuidade do modelo experimental ou sua regulamentação definitiva.