
Um vídeo da comentarista Alessandra Orofino relacionou um áudio atribuído ao deputado federal Nicolas Ferreira (PL-MG), no qual ele pede ajuda a Daniel Vorcaro para “destravar um ativo mineral”, a um contrato de intermediação assinado por um advogado próximo ao parlamentar. A análise foi exibida no programa “Calma Urgente” e divulgada pelo professor Dawisson Belém Lopes.
Orofino afirmou que o áudio data do fim de março de 2025. Segundo ela, Nicolas se refere no telefonema a Thiago Rodrigues de Faria, advogado que também trabalhou em seu gabinete e que o deputado chamaria de “irmão”.
Em janeiro de 2025, dois meses antes da conversa mencionada, o escritório de Thiago Rodrigues de Faria assinou um contrato com a G Mais Ambiental. O documento previa remuneração de 25% do lucro caso fosse obtida autorização para explorar uma lavra e vender o empreendimento posteriormente, conforme informações citadas pela comentarista.
O negócio teria valor estimado em cerca de US$ 45 milhões. Para Orofino, a existência do contrato ajuda a situar o pedido feito a Vorcaro, embora o material apresentado não indique qual ajuda teria sido efetivamente prestada nem atribua crime a Nicolas Ferreira.
Felizmente, existe a Alessandra Orofino para botar os pingos nos ii. Ouçam com atenção o corte. É do programa Calma Urgente. Faz a conexão necessária; joga luz onde era preciso iluminar. pic.twitter.com/MucrWHwQDB
— Dawisson Belém Lopes (@dbelemlopes) September 5, 2026
Lavra fica perto de barragem apontada como área de alto risco
A área de mineração mencionada fica no distrito de Rodrigo Silva, nas proximidades de Ouro Preto, e os direitos de exploração pertencem à mineradora Topázio Imperial. Dentro da lavra está a barragem de Água Fria, construída pelo método a montante, o mesmo adotado nas estruturas que romperam em Mariana e Brumadinho.
Orofino disse que a barragem consta entre os sete barramentos de maior risco de rompimento no país. O Ministério Público Federal teria interrompido atividades na região devido ao risco para moradores, o que dificultaria a liberação de novas operações minerais na área.
Seis meses após o áudio citado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Rejeito, voltada a suspeitas de corrupção em processos de licenciamento mineral em Minas Gerais. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão, expediu 22 ordens de prisão e bloqueou mais de R$ 1,5 bilhão, segundo os números mencionados no vídeo.
A comentarista afirmou que a G Mais Ambiental apareceu no relatório da PF como empresa de fachada, registrada em um endereço de clínica de estética em Belo Horizonte. O relatório apontaria como gestores ocultos o delegado Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da PF em Minas, e o consultor ambiental Gilberto Henrique Horta de Carvalho, presos na operação.
O mesmo núcleo investigado também teria atuado no projeto Taquaril, voltado à exploração de minério de ferro na Serra do Curral. Moradores da região haviam se mobilizado contra a atividade, com relatos de poeira de minério, explosões durante a madrugada, rachaduras em imóveis e o atropelamento de uma criança por um caminhão de mineração.