
Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Alencar Santana (PT-SP) apresentaram uma notícia de fato à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) contra Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição. Eles pedem a inelegibilidade do parlamentar por oito anos pela divulgação de um documento falso atribuído à Polícia Federal.
A representação afirma que Nikolas publicou em seus perfis oficiais e verificados no Instagram e no X um documento que simulava uma conclusão da PF. O material dizia que não havia indícios de crime nas conversas do deputado com o empresário Daniel Vorcaro, mas a própria corporação negou publicamente ter produzido o texto.
O deputado divulgou o documento horas depois de reportagens revelarem mensagens e áudios trocados com Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero. Os autores da notícia de fato sustentam que a publicação tentou responder às informações divulgadas durante o período eleitoral.
As contas que republicaram o material somam mais de 27 milhões de seguidores, conforme a representação apresentada à PGE. Os três parlamentares apontam possível uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder político.

Pedido inclui investigação eleitoral no TSE
Rogério Correia, Lindbergh Farias e Alencar Santana solicitaram a abertura de um procedimento preparatório para examinar a divulgação e o alcance das postagens. A medida pode anteceder uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na eventual ação, os deputados defendem a cassação do registro de candidatura ou do diploma de Nikolas, caso ele seja eleito, além da declaração de inelegibilidade por oito anos. A adoção dessas sanções dependeria da apuração e de decisão da Justiça Eleitoral.
A notícia de fato também pede a preservação dos registros digitais das publicações, incluindo informações sobre alcance, compartilhamentos e outros dados das plataformas. Esses elementos podem ajudar a identificar a circulação do documento e a dimensão de sua divulgação.
Os parlamentares ainda solicitaram que a PGE apure a existência de eventuais crimes eleitorais ligados à falsificação e ao uso do documento falso. A representação atribui à Polícia Federal a negativa pública sobre a autoria do material divulgado por Nikolas.