
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta (7) que “pode haver planejamento” de um novo golpe num eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). A declaração foi dada durante entrevista ao programa “Timeline”, da Rádio Gaúcha, quando ele foi questionado diretamente sobre a possibilidade.
“Sei lá, sei lá, pode haver planejamento. Isso deu certo? Olha o (Jair) Bolsonaro que tá pagando. Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”, respondeu Valdemar.
Na mesma entrevista, o dirigente do PL reconheceu que houve planejamento de um golpe após a eleição presidencial de 2022. Segundo ele, militares discutiram a possibilidade, mas o plano não teria sido executado.
“A lei diz o seguinte: você pode planejar um assassinato e você não assassinou o camarada e não atacou o camarada, não é crime”, declarou.
Apesar de admitir a possibilidade de planejamento, Valdemar afirmou que o resultado das urnas será respeitado caso o presidente Lula (PT) vença o segundo turno. “Lógico, sempre foi (respeitado). Eu sempre respeitei as urnas. Tem muita gente da direita que é contra as urnas, eu nunca tive dúvida sobre urna”, disse.
Honestamente, eu ainda não acredito que ouvi esse diálogo acontecendo ao vivo (tô estarrecida) pic.twitter.com/XmH2Tc7O56
— Winni Fernanda Heckler (@nutriwinni) October 7, 2026
O presidente do PL também afirmou que, em caso de vitória de Flávio, uma medida para beneficiar os condenados pelos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro seria adotada imediatamente. “Ele vai fazer no primeiro dia. Ele vai tomar decisão imediata para soltar esses 180 infelizes que estão presos. Porque nunca teve golpe, golpe é com metralhadora”, declarou.
Jair Bolsonaro, preso desde agosto do ano passado, estaria entre os beneficiados, segundo o cenário apresentado por Valdemar. O dirigente afirmou que não imagina o ex-presidente instalado no Palácio do Planalto, mas acredita que ele teria influência sobre uma eventual administração do filho.
“O Flávio não tem o mesmo desempenho do (Jair) Bolsonaro para atender os prefeitos, para atender os governadores. Então, tenho certeza que o (Jair) Bolsonaro, vindo para cá, a nossa vida muda”, afirmou.
Valdemar também comentou as mudanças constitucionais defendidas por Flávio na terça-feira (6). Segundo o dirigente, alterações dependeriam de apoio no Congresso Nacional. “Tem muita coisa que ele quer modificar, ele quer acabar com a reeleição, tem muita coisa e precisa ter apoio. Nós vamos ter maioria, não tenho dúvida disso, no Senado e na Câmara.”
Ao tratar da relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), Valdemar afirmou que conflitos entre os Poderes deveriam ser resolvidos institucionalmente. “Não vamos resolver nada com guerra, na minha opinião. Temos que ter habilidade para tocar o país para frente. Porque se começarmos a brigar, é Supremo, com o Executivo, com Legislativo. Isso atrasa o país. Nós temos que tocar o país para frente.”