
A influenciadora de extrema-direita americana Savannah Stone, de 21 anos, defende que mulheres renunciem ao direito de votar e deixem a decisão eleitoral sob responsabilidade dos maridos. Com cerca de 800 mil seguidores, ela propaga a proposta de “uma família, um voto”, definido pelo chefe da casa.
Stone lidera a comunidade online “The Submissive Society” (“A Sociedade Submissa”, em português), voltada a ensinar mulheres a adotarem comportamentos associados ao modelo de dona de casa dos anos 1950. “O feminismo é a maior mentira que já nos contaram enquanto mulheres”, afirmou a influenciadora, ao acusar o movimento de buscar destruir o casamento e a família.
Ela já aconselhou seguidoras a prepararem a comida favorita dos maridos, ouvi-los e manter a casa limpa. “Você já tentou usar um vestido de verão e preparar a comida favorita dele?”, perguntou Stone.
A influenciadora diz que abriria mão do próprio voto sem hesitar. Ela participou da campanha pela reeleição de Donald Trump, mas já reclamou do governo após o presidente prometer reduzir custos e evitar novas guerras no Oriente Médio. “Agora a economia está pior. Ele prometeu que não haveria mais guerras no Oriente Médio e estamos em guerra”, disse.

Proposta exigiria mudar a Constituição dos Estados Unidos
A defesa da retirada do voto das mulheres contraria a 19ª Emenda da Constituição americana, ratificada em 1920 após décadas de mobilização sufragista. Para abolir a emenda, os defensores da medida precisariam reunir apoio de dois terços do Congresso e de três quartos dos estados.
Stone foi oradora principal de uma cúpula de liderança feminina promovida em junho, no Texas, pelo grupo ultraconservador Turning Point USA, que reúne jovens ligados ao movimento MAGA. O fundador da organização, Charles Kirk, incentivava mulheres a buscarem “um diploma de esposa”, e sua viúva, Erika, passou a recrutar jovens para a direita cristã após sua morte.
A tese também circula em setores religiosos próximos ao Pentágono. O teólogo e pastor Doug Wilson, dirigente da Comunhão de Igrejas Evangélicas Reformadas e frequentado pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, defende um sistema eleitoral em que cada domicílio tenha apenas um voto.
Nas 170 congregações ligadas a Wilson, mulheres só votariam se fossem chefes de família; no caso de solteiras, irmãos ou tios poderiam substituí-las. A proposta ainda ocupa espaço marginal na política americana, mas ganhou eco em ambientes ultraconservadores e nacionalistas cristãos.