Trump diz que espera acordo com Cuba sem precisar de ação militar

Fidel Castro Cuba
Escola em Havana, capital de Cuba, com posters em homenagem aos 100 anos de Fidel Castro. Foto: Norlys Perez/Reuters

Donald Trump afirmou neste sábado (26) que Estados Unidos e Cuba devem chegar a um acordo e disse não acreditar que será necessário usar as Forças Armadas contra a ilha. A declaração foi feita a jornalistas na Casa Branca, ao responder a uma pergunta sobre relatos de movimentação de reservistas e a possibilidade de uma operação militar.

“Eu diria que Cuba e nós chegaremos a um acordo. Não acho que vamos precisar dos militares”, afirmou Trump. “Cuba está fracassando muito. Queremos ajudar Cuba. Queremos abrir Cuba para o nosso povo. Temos ótimos cubano-americanos que querem voltar. Queremos abrir Cuba para o nosso povo.”

O tom contrasta com o adotado pelo próprio Trump apenas quatro dias antes na Assembleia Geral da ONU. Na ocasião, ele disse que o governo cubano “vai cair”, defendeu uma “mudança radical” na ilha e afirmou que Washington estaria disposto a empregar força militar para proteger seus interesses. A fala levou a delegação de Cuba a abandonar o plenário durante o discurso.

A declaração deste sábado ocorre depois de meses de aumento da pressão de Washington sobre Havana. O governo Trump ampliou medidas econômicas contra a ilha, enquanto autoridades cubanas acusam os Estados Unidos de usar o bloqueio para agravar a crise interna. Em fevereiro, o embaixador cubano no Brasil já denunciava uma escalada da política de hostilidade e do bloqueio contra Cuba.

Do lado cubano, também houve sinalização de disposição para conversar. O chanceler Bruno Rodríguez afirmou neste sábado, durante a Assembleia Geral da ONU, que Havana permanecerá aberta ao diálogo com Washington e a relações comerciais com empresas estadunidenses. Ele manteve, porém, as críticas ao embargo imposto pelos Estados Unidos.

A fala de Trump não representa, até agora, anúncio de negociação concluída nem de acordo formal entre os dois governos. Ela indica uma mudança de tom em relação às ameaças feitas na ONU e afasta, neste momento, a hipótese de intervenção militar levantada nos últimos dias. O próximo passo dependerá de conversas concretas entre Washington e Havana e das condições que cada lado aceitar colocar sobre a mesa.

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