A extrema direita adora posar de protetora do povo. Mas, quando seus interesses estão em jogo, não hesita em colocar esse mesmo povo na mira de forças estrangeiras. Donald Trump deixou isso claro na última segunda-feira (5), durante um comício no Nebraska.
Farol do novo fascismo mundial e padrinho declarado do candidato a presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, Trump afirmou que Los Angeles e San Diego poderiam ser destruídas pelo Irã.
Para o presidente, a morte de civis norte-americanos seria “um preço muito pequeno a pagar” pela guerra.
“Eles poderiam destruir uma cidade. Deixem que destruam Los Angeles. Deixem que destruam San Diego. É um preço muito pequeno a pagar e, muito em breve, tudo isso terá acabado”, afirmou.
Trump escolheu duas das maiores cidades da Califórnia — ambas governadas por democratas — para mostrar, à sua maneira, toda a preocupação que tem com o povo norte-americano.
Los Angeles e San Diego somam cerca de 5,2 milhões de habitantes. Considerada a população dos dois condados, são mais de 13 milhões de pessoas.
A declaração foi feita durante um comício no Nebraska, onde o republicano tenta ajudar os candidatos de seu partido nas eleições legislativas de novembro. Diante da plateia, Trump defendia que a população aceitasse a alta dos preços provocada pela guerra. Depois, incluiu na conta duas cidades inteiras. O público aplaudiu.
Quase um ano antes, em outubro de 2025, Flávio Bolsonaro havia sofrido um sincericídio parecido.
Ao assistir às imagens de um ataque dos Estados Unidos contra uma embarcação no Oceano Pacífico, o então senador não lamentou as mortes nem questionou a falta de provas contra os ocupantes do barco. Sentiu “inveja”.
Flávio dirigiu a mensagem a Pete Hegseth, secretário de Defesa (ou da guerra, como preferem os trumpistas) dos EUA, e convidou os militares norte-americanos a trazerem a ofensiva para o Rio de Janeiro.
Sob a justificativa de combater o tráfico de drogas, sugeriu que os Estados Unidos passassem alguns meses atacando embarcações na Baía de Guanabara.
Na época, Washington ampliava uma campanha de bombardeios no Caribe e no Pacífico, próximo à costa de países latino-americanos. Ao menos 37 pessoas já haviam sido mortas. O governo Trump classificava os ocupantes dos barcos como “narcoterroristas”, mas não apresentava provas das acusações. As vítimas eram executadas sem julgamento e sem a autorização dos países da região.
Nada disso incomodou Flávio. Então presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado, ele não propôs uma investigação das supostas atividades criminosas nem cobrou providências das autoridades brasileiras.
Preferiu convidar uma potência estrangeira a usar força militar dentro do território nacional.
Diante desse cenário de ofensiva imperialista, a primeira reação de Flávio foi escrever, em inglês: “Que inveja”.
A frase resume a distância entre o patriotismo encenado pelo bolsonarismo e sua prática política: diante de uma ação militar dos Estados Unidos na região, o candidato à Presidência não defendeu a soberania brasileira. Lamentou apenas que as bombas ainda não tivessem chegado ao Rio de Janeiro.