Flávio Bolsonaro promete acabar com reeleição se vencer no 2º turno

Flávio Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta (7) que usará o “capital político de presidente” no início de um eventual governo para tentar aprovar uma proposta de emenda à Constituição que acabe com a reeleição. Ele também reiterou que não disputará um novo mandato em 2030 se vencer o segundo turno.

“Quando eu falo que eu sou a favor do fim da reeleição e é assim que eu vou fazer, eu vou usar o capital político de um presidente recém-eleito para aprovar essa PEC, para redemocratizar o nosso país nesse sentido. É para dar o exemplo”, disse Flávio.

O candidato afirmou que o Congresso definirá os termos de uma eventual mudança constitucional, incluindo a duração dos mandatos e quais cargos entrariam na nova regra. Ele citou a possibilidade de mandatos de quatro ou cinco anos e a abrangência para presidente e governadores.

“É o Congresso que vai discutir os critérios, se vai ser mandato de quatro, de cinco anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador. Aí é o processo legislativo que vai ser respeitado e a maioria vai decidir qual é o caminho que tem que ser feito, a reforma política”, declarou.

Fim da reeleição abriria disputa da direita em 2030

Flávio disse que sua promessa independe do formato aprovado pelos parlamentares. “Não estou disputando o poder. Eu estou disputando o futuro do meu país. Então, fiz o compromisso de não concorrer à reeleição”, afirmou.

Sem uma candidatura de Flávio à reeleição, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece entre os nomes da direita com espaço para concorrer ao Planalto em 2030. O Republicanos já discutia um projeto presidencial para Tarcísio antes da eleição deste ano.

Em agosto, Flávio procurou Tarcísio para propor um pacto pelo fim da reeleição. Ele negou que tivesse negociado esse acordo com o governador, mas, naquele período, disse ao lado dele que poderia entrar para a história “nem que seja como presidente de transição”.

Tarcísio afirmou na mesma época que acreditava no compromisso de Flávio com o fim da reeleição. Reeleito governador paulista no domingo (4), com 62,65% dos votos válidos, ele disse que se dedicaria à campanha do candidato do PL no segundo turno.

Uma eventual sucessão dentro da família Bolsonaro também enfrentaria a regra da inelegibilidade, que impede a candidatura, na mesma jurisdição, de cônjuge e parentes consanguíneos ou por afinidade até o segundo grau do presidente. Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal, não tem parentesco consanguíneo com Flávio e já participa das articulações do bolsonarismo para 2030.

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