O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida presidencial. Ao falar sobre segurança pública em entrevista à Super Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, Lula lembrou que “tem candidato a presidente ligado aos milicianos” no estado.
“Eu vou dizer uma coisa que nem ia dizer: você sabe que tem um candidato a presidente que é ligado aos milicianos aqui no Rio de Janeiro e na hora que você vai analisar a situação tem muita gente da família Bolsonaro metida com milicianos. Ou seja, é preciso limpar a política e a polícia. Isso é um trabalho árduo”, diz Lula.
Quando era deputado estadual no Rio, o filho 01 de Jair Bolsonaro concedeu ao miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a Medalha Tiradentes.
A mãe e a então mulher de Adriano foram empregadas como assessoras do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O ex-militar era chefe de uma milícia que atuava na Zona Oeste do Rio e integrante do Escritório do Crime. Ele morreu em fevereiro de 2020, durante uma operação policial na Bahia, depois de passar quase um ano foragido.
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Para que o candidato com essa ligação não seja eleito, o presidente diz que “a sociedade brasileira deveria assumir a responsabilidade de dizer qual é o futuro que ela quer”. “As eleições são para isso”, lembra.
Sobre a segurança, o presidente Lula destacou a necessidade de uma atuação coordenada entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade e voltou a cobrar a aprovação da PEC da Segurança Pública, que está à espera de votação no Senado.
Ele defendeu três eixos de atuação para a segurança pública: “O primeiro, sufocar a logística e a mobilidade do crime; depois nós temos retomar territórios, porque não tem sentido o crime organizado e a bandidagem tomar conta da rua, da vila, do bairro, da escola, da igreja. E o terceiro eixo é fortalecer a capacidade do município”.
Feminicídio
O presidente também citou o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. “Depois que nós aprovamos esse pacto em fevereiro, nós já criamos 11 leis, quatro decretos e três portarias, tentando garantir toda a proteção à mulher. Só para você ter ideia, a gente saiu de 40 mil telefonemas pelo Ligue 180 para 439 mil. Significa que as pessoas passaram a ter confiança”, disse.
Saúde
Ao tratar da saúde, o presidente falou sobre a recuperação dos hospitais federais do estado. “Eu tenho dito no Ministério da Saúde que o hospital federal do Rio de Janeiro precisa ser um hospital de excelência. Hoje, todos os hospitais federais estão funcionando. Nós fizemos parceria com a prefeitura, fizemos parceria com o Hospital Conceição do Rio Grande do Sul (referência nacional de atendimento pelo SUS), e nós estamos fazendo esses hospitais se transformarem em hospitais de excelência”.
Educação
Lula disse ter “obsessão pela educação”. Sobre os institutos federais, o presidente lembrou que, dos 56 que o Rio de Janeiro tem em operação ou em construção, 44 se tornaram realidade em seus mandatos. “Eu quero chegar a mil institutos federais. Para quê? Para preparar essa meninada para o futuro. Formar muita gente para essa nova indústria digital. Para essa nova indústria que vai ser a exploração das terras raras e minerais críticos. A gente vai ter que formar para a transição energética”, assegura.