
O Reino Unido permitirá que a Ucrânia acesse a tecnologia do míssil de cruzeiro Storm Shadow e passe a produzir a arma em seu próprio território. O primeiro-ministro Andy Burnham anunciou a medida nesta segunda (24), em meio à busca de Kiev por maior autonomia na fabricação de equipamentos militares.
Desenvolvido pela fabricante europeia MBDA em parceria entre Reino Unido e França, o armamento recebe o nome de Storm Shadow pelos britânicos e SCALP pelos franceses. A Ucrânia já usa as duas versões contra alvos militares russos, principalmente bunkers e centros de comando protegidos.
A transferência de tecnologia não deve alterar de imediato o curso da guerra. Cada unidade custa cerca de 1 milhão de libras (aproximadamente R$ 7,02 milhões), e a produção dependerá da montagem de uma cadeia de fornecedores em solo ucraniano.
Especialistas avaliam que a fabricação local poderá levar anos para alcançar escala relevante, apesar de os militares ucranianos já conhecerem o funcionamento dos mísseis. Reino Unido e outros países da Otan também enfrentam limites industriais após décadas de produção reduzida de armamentos de alta tecnologia.

Ucrânia amplia indústria militar, mas segue dependente de interceptadores
O governo britânico deixou de comprar novos Storm Shadow e passou a desenvolver o míssil de longo alcance Brakestop, com menor dependência de componentes estrangeiros e custo inferior ao modelo franco-britânico. A guerra expôs o risco de os estoques ocidentais se esgotarem em conflitos prolongados.
A Ucrânia expandiu sua própria indústria bélica desde o início da invasão russa, com produção em larga escala de drones e outros armamentos que usam, em alguns casos, componentes comerciais de baixo custo. Drones de longo alcance se tornaram uma das principais ferramentas de Kiev para atingir instalações russas distantes da fronteira.
O país ainda depende dos aliados para sistemas mais complexos, sobretudo os interceptadores Patriot, fabricados nos Estados Unidos. Em agosto, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que as entregas previstas para 2026 haviam caído para cerca de um terço do volume recebido no ano anterior; o governo de Donald Trump recuou de um apoio inicial à fabricação local desses interceptadores.
O Kremlin acusou Londres de ampliar seu envolvimento na guerra. No mesmo dia, a União Europeia anunciou um pacote de 6,1 bilhões de euros, cerca de R$ 36 bilhões, para a Ucrânia, com mais da metade dos recursos destinada à área militar; Zelensky também se reuniu com líderes da Coalizão dos Dispostos durante as celebrações dos 35 anos de independência ucraniana.