A verdade sobre os Yanomami: Lula reduz mortes após tragédia deixada por Jair Bolsonaro

A campanha de Flávio Bolsonaro passou a usar a situação do povo Yanomami, cuja tragédia humanitária despertou reações internacionais quando seu pai Jair Bolsonaro ocupava a presidência, para espalhar uma versão falsa sobre o Governo Lula. Depois de a revista Veja afirmar que as mortes no território teriam “disparado”, o senador reproduziu a manchete enganosa e tentou atribuir ao presidente Lula a prática de genocídio. Os dados mais recentes mostram exatamente o contrário: entre os primeiros semestres de 2023 e 2026, o número de óbitos por todas as causas caiu de 224 para 158.

O Governo Lula assumiu o país com uma emergência humanitária instalada, depois de quatro anos de avanço do garimpo ilegal e total abandono da assistência aos povos indígenas. Desde então, o governo reconstruiu políticas de saúde e reduziu as mortes entre os Yanomami. Lula criou o Ministério dos Povos Indígenas. Foi ainda nos primeiros dias de mandato que Lula determinou medidas emergenciais para socorrer crianças e comunidades desassistidas.

Ao chamar Lula de “genocida”, Flávio Bolsonaro busca apagar a responsabilidade do governo de seu pai pela tragédia encontrada em janeiro de 2023. Foi sob Jair Bolsonaro que o garimpo ilegal avançou, as estruturas de saúde foram abandonadas e comunidades inteiras ficaram sem a presença do Estado.

A realidade omitida pelos bolsonaristas é que, com Lula, a abertura de novas áreas de garimpo ilegal caiu 99% entre março de 2024 e agosto de 2026. As operações federais impuseram prejuízo estimado em R$ 768 milhões à atividade criminosa, enquanto mais de 205 mil cestas de alimentos foram distribuídas desde 2023.

Os créditos extraordinários aprovados pelo Congresso somam R$ 1,8 bilhão e foram empenhados e vinculados às ações previstas. O Supremo Tribunal Federal também encerrou por unanimidade a ação que acompanhava as medidas de proteção aos povos indígenas, após reconhecer o cumprimento das determinações.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, denunciou a manipulação das informações e alertou que o conteúdo pode ser usado para influenciar as eleições. “Talvez você pense: ‘Beleza, a foto não é de agora, mas as mortes dispararam, certo?’. Não. Desde 2023, mortes por desnutrição caíram 75%. Infecção respiratória aguda, 40%. Por malária, ninguém morreu nesse primeiro semestre de 2026”, afirmou.

Subnotificação no governo Bolsonaro afeta análises

O Ministério da Saúde reuniu os principais resultados alcançados na Terra Indígena Yanomami. Os números comparam o primeiro semestre de 2026 com o mesmo período de 2023, quando o Governo Lula declarou emergência em saúde pública no território:

  • 29,5% de redução no total de mortes, de 224 para 158;
  • 75,7% de queda nas mortes por desnutrição;
  • 40,8% de redução nos óbitos por infecção respiratória aguda;
  • nenhuma morte por malária no primeiro semestre de 2026, além de queda de 50,6% no número de casos;
  • 79,8% de aumento nas doses de vacinas aplicadas, de 11.273 para 20.267;
  • aumento de 690 para mais de 2,1 mil profissionais de saúde;
  • reabertura de sete polos-base, com os 37 polos e as 40 unidades de saúde do território em funcionamento.

O próprio Ministério da Saúde alerta que os registros atuais não podem ser comparados diretamente com os anos do governo Bolsonaro. Documentos oficiais apontam que a precarização dos serviços até 2022 provocou subnotificação de doenças e mortes. Com a retomada da assistência a partir de 2023, a reabertura dos polos e a ampliação das equipes, o governo passou a fazer busca ativa e a produzir registros mais abrangentes e confiáveis sobre a situação no território.

O recorte enganoso da Veja

Para sustentar a manchete, a Veja colocou lado a lado registros de períodos que não podem ser comparados sem a devida contextualização. A publicação ignorou que, entre 2019 e 2022, a assistência à saúde na Terra Indígena Yanomami foi desmontada, enquanto unidades e polos-base ficaram fechados ou foram destruídos.

Comunidades passaram longos períodos sem atendimento e o próprio Estado perdeu a capacidade de localizar doentes, acompanhar os casos e registrar mortes. Havia, portanto, grave subnotificação. Uma quantidade menor de notificações durante o abandono bolsonarista não significa que menos pessoas tenham morrido.

Desde 2023, a ampliação do atendimento, da busca ativa, dos diagnósticos e da vigilância epidemiológica tornou os registros mais completos. Para o governo federal, comparar os dois períodos como se o Estado tivesse a mesma presença no território produz uma “conclusão enganosa”.

O recorte da revista também deixa de fora 2022, último ano do governo Bolsonaro e período em que foi produzida a imagem escolhida para ilustrar a reportagem. A foto de indígenas em grave estado de desnutrição foi divulgada pela Associação Urihi em dezembro de 2022 e já havia sido usada pela própria Veja em matérias publicadas no início de 2023.

“Olha só, até a foto usada na reportagem não é do governo, porque ele sequer aparecia lá. É de uma associação indígena que denunciava todas as falhas”, lembrou Padilha. Mesmo depois de incluir a resposta oficial do governo em uma atualização, a revista manteve a manchete sobre o suposto “disparo” das mortes.

Mortes caem e atendimento é reconstruído

Os indicadores atuais desmontam a tentativa de reescrever a história. No primeiro semestre de 2026, as mortes por desnutrição caíram 75,7% em relação ao mesmo período de 2023. Os óbitos causados por infecção respiratória aguda recuaram 40,8% e nenhuma morte por malária foi registrada. Os números também foram divulgados pela Folha de S.Paulo.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, apresentou os resultados depois de uma missão de dois dias na Terra Yanomami. “Nós vimos uma redução progressiva de óbitos de malária e, este ano, 2026, não registramos nenhum óbito”, declarou durante coletiva em Boa Vista.

Massuda também relatou que as lideranças indígenas reconhecem a melhora nas condições de saúde e nutrição das crianças. A visita incluiu o Polo Base de Surucucu, a Maloca Papiu, a Casa Yanomami e a estrutura de atendimento indígena do Hospital Universitário.

O número de profissionais de saúde no território passou de cerca de 690, no início de 2023, para mais de 2,1 mil. Atualmente, são 74 médicos, dos quais 69 pertencem ao Mais Médicos. Os 37 polos-base estão funcionando, assim como 40 Unidades Básicas de Saúde Indígena e o Centro de Referência de Surucucu, que já realizou mais de 6 mil atendimentos.

A vacinação também avançou. O número de doses aplicadas no primeiro trimestre passou de 11.273, em 2023, para 20.267, em 2026, um crescimento de quase 80%. A proporção de crianças menores de um ano com o esquema vacinal completo subiu de 28% para 57,6%, enquanto o acompanhamento nutricional chegou a 84%.

As imagens mostram a diferença

Como costuma lembrar a ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva, a diferença entre o abandono de Bolsonaro e o trabalho realizado sob Lula também pode ser vista nas imagens registradas pela jornalista Sônia Bridi e pelo repórter cinematográfico Paulo Zero.

Na reportagem exibida pelo Fantástico em janeiro de 2023, a equipe encontrou o cenário devastador deixado pelo Governo Bolsonaro: comunidades isoladas pelo garimpo ilegal e famílias inteiras atingidas pela fome, desnutrição, malária, pneumonia e contaminação por mercúrio. As imagens de crianças com os corpos consumidos pela falta de alimentos e de atendimento médico chocaram o Brasil e o mundo.

Dois anos depois, Sônia Bridi e Paulo Zero voltaram ao território e reencontraram algumas das crianças que haviam filmado naquela primeira viagem. A nova reportagem mostrou as meninas recuperadas, fortes e saudáveis, além de uma redução de 96% da presença do garimpo ilegal no território.

Artigo Anterior

Storm Shadow: a arma de R$ 7 milhões que o Reino Unido dará à Ucrânia

Próximo Artigo

TRE-SP nega recurso e mantém Pablo Marçal inelegível até 2032

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!