
O Senado mantém sob sigilo os custos, o número de policiais e os destinos das viagens da escolta que acompanha o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua campanha à Presidência. A Casa também recusou pedidos de acesso a esses dados feitos pela imprensa e pela Lei de Acesso à Informação. Com informações do Metrópoles.
Até o fim de agosto de 2026, o Senado desembolsou cerca de R$ 7,4 milhões em diárias e passagens para missões de proteção de autoridades. Foram aproximadamente R$ 4 milhões em diárias e R$ 3,3 milhões em passagens aéreas, sem detalhamento público sobre quanto desse total se relaciona à segurança do candidato do PL.
A campanha de Flávio também não informou quanto custa a escolta nem quantos agentes participam da operação. Policiais do Senado ouvidos pela reportagem atribuíram a maior parte da alta nas despesas à proteção do senador, embora os dados divulgados pela Casa não permitam confirmar essa divisão.
O gasto acumulado até agosto já supera em mais de três vezes o valor de todo o ano de 2022, quando o Senado aplicou R$ 2,33 milhões em diárias e passagens para proteção. Em 2023, a conta chegou a R$ 2,5 milhões; em 2024, a R$ 4,5 milhões; e em 2025, a R$ 5,7 milhões.

O Senado afirmou que a candidatura não altera a condição de Flávio como senador e, por isso, permite a continuidade da escolta policial. A proteção foi autorizada em 2019, depois de pedido do parlamentar e de uma análise de risco.
A Casa sustenta que sua polícia pode proteger senadores no Brasil e no exterior por determinação da Presidência do Senado. Também alegou que divulgar o efetivo, as avaliações de risco e os procedimentos da operação colocaria agentes e a autoridade protegida em perigo, mas não explicou por que os valores gastos permanecem em sigilo.
A Câmara dos Deputados adotou posição diferente ao negar policiais legislativos para acompanhar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio. A Casa presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB) argumentou que a candidatura não equivale ao exercício do mandato e lembrou que a segurança de candidatos à Presidência cabe à Polícia Federal.
Flávio recusou a proteção da Polícia Federal, prevista após a homologação das candidaturas mediante solicitação da campanha. Ao justificar a decisão, ele disse não confiar no comando da corporação, chefiada por Andrei Rodrigues: “Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”. A equipe do PL afirmou que o senador recebe proteção exclusivamente da Polícia do Senado, com veículos blindados, armamento e recursos de inteligência.
Parte do trabalho inclui monitoramento de redes sociais e mensagens que possam apontar riscos ao candidato. Em agosto, a Justiça autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos de um morador de Minas Gerais que publicou dois emojis de facas em postagem sobre uma visita de Flávio a Juiz de Fora e proibiu que ele se aproximasse a menos de 500 metros do senador.