
O governo de Pernambuco exonerou na terça-feira (25) Amisadai Andrade da Silva, servidor citado em reportagem do Jornal da Record como suposto operador de uma rede de perfis usada para atacar adversários da governadora Raquel Lyra (PSD), entre eles o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). A demissão ocorreu no mesmo dia da exibição da reportagem.
A Record afirmou que a Polícia Federal investiga o suposto esquema. A emissora exibiu uma gravação de reunião em que Amisadai, servidor da Caixa Econômica Federal cedido à Secretaria Estadual de Turismo e Lazer, negocia ataques nas redes sociais e menciona uma rede com mais de 300 perfis.
Na gravação, ele afirma que a gestão estadual teria visto o grupo como um canal para atingir Campos. “O governo do estado enxergou na gente, também. A gente fez reunião no Palácio”, disse. “Enxergou a gente como um canal, na época, para a gente tentar desidratar ele.”
As publicações teriam circulado pelo perfil “Portal da Prefeitura”, que reunia mais de 300 mil seguidores. A conta aparecia desativada na tarde de quarta-feira (26). Amisadai disse à Record que deixou a sociedade da empresa Portal Comunicação e Marketing LTDA, responsável pela página, em setembro de 2024 e não responde por atos posteriores à saída.

Amisadai assumiu cargo no governo estadual em novembro de 2024. A reportagem da Record apontou que a empresa de publicidade mantém contratos com a gestão desde 2023 e recebeu mais de R$ 500 mil pelos serviços.
O advogado Rafael Carneiro, que representa o PSB nacional e a equipe jurídica da coligação de Campos, afirmou haver indícios de uma estrutura voltada a desgastar o ex-prefeito e favorecer a candidatura de Lyra à reeleição. “Na quarta-feira, a governadora disse que esse sujeito estava muito longe dela. E no mesmo dia foi demonstrado que ele estava muito perto”, declarou.
Em nota, o governo Lyra disse que executa sua publicidade exclusivamente por meio de licitação e que os planos de mídia seguem critérios técnicos de audiência, alcance e custo. A administração afirmou que os valores destinados em 2026 ao veículo citado equivalem a cerca de 0,3% do investimento permitido em publicidade no período e que os pagamentos constam no Portal da Transparência.
A disputa também chegou ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco. Em julho, o PSD pediu preservação de dados de 15 perfis que, segundo o partido, atacaram Lyra e promoveram Campos; o desembargador Erik de Souza Dantas Simões determinou que Meta e Claro preservem os registros, mas adiou a entrega dos dados e outras diligências até as defesas e a manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral. A equipe de Campos negou qualquer rede ligada à prefeitura ou à campanha e afirmou que a decisão não reconheceu a existência da estrutura denunciada.