O candidato ao governo do Paraná, Requião Filho (PDT), apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vem se destacando por colocar no debate eleitoral propostas e posições que vão na contramão do senso comum direitista, hegemônico no estado nos últimos anos.
Requião Filho, que é advogado e deputado estadual, uniu uma série de partidos de esquerda e progressistas em sua chapa para fazer frente à direita e ao bolsonarismo. A coligação é composta, além do PDT, pelo Solidariedade (partido de seu vice, Michele Caputo); PT, PCdoB e PV (que compõem a Frente Brasil da Esperança), PSol e Rede (da federação homônima) e PRD.
De acordo com pesquisas Quaest divulgadas no final de julho e de agosto, o pedetista cresceu de 18% para 21% das intenções de voto, atrás de Sérgio Moro (PL), que caiu de 39% para 37%, cenário que deverá levar a decisão para segundo turno.
Entrevistado pela CNN Brasil nesta terça-feira (1º), Requião Filho rechaçou as privatizações no ensino e de empresas estratégicas, defendendo a reversão desses processes, bem como mudanças na educação e melhorias para alavancar a economia local, entre outros pontos. Ao mesmo tempo, criticou a gestão atual nessas frentes e na segurança pública e expôs o caráter da candidatura de Sérgio Moro e do bolsonarismo.
“Eu nunca quis ser senador por São Paulo, nunca quis ter o Paraná como segunda opção. Eu sempre tive o Paraná como primeira opção e sou um apaixonado pelo meu estado”, disparou contra o ex-juiz, que tentou se aventurar como representante paulista no Senado, em 2022.
Requião Filho prosseguiu salientando: “Quero ser governador para cuidar do meu povo e não para fazer um trampolim e lutar contra um determinado partido. Quero construir o Paraná, um futuro para o estado, investir em segurança, educação e saúde. A proposta de Moro, até agora, tem sido combater um único partido. Não trouxe nenhuma proposta concreta sobre geração de emprego, tributação, sobre como resolver as filas da saúde”.
Questionado sobre a força do bolsonarismo no estado, o candidato a atribuiu a uma “campanha midiática muito forte de desconstrução da pessoa do presidente Lula, com o apoio de partidos e de certos setores do agro que se beneficiaram muito com a alta do dólar no governo Bolsonaro e essa submissão aos EUA — que, por sua vez, tem custado caro ao nosso agro e à nossa indústria”.
Ao mesmo tempo, disse que “esse anti-lulismo, que levou o bolsonarismo a ser forte no Paraná, vem sendo desacreditado e desmontado pela própria família Bolsonaro, apoiadora das tarifas do Trump contra o estado, que vêm tirando mais de R$ 1,5 bilhão da nossa economia”.
Outro ponto destacado foi sua fala sobre segurança pública, assunto que figura entre os principais das campanhas estaduais e nacionais. “Paranaguá, a nossa cidade portuária, é uma das mais violentas do Brasil, com um dos maiores índices de homicídios por habitantes. O estado é o número 1 do Brasil, segundo a Fetranspar (Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná), em roubo de carga e temos uma subnotificação de crimes de quase 75%. Ou seja, a segurança, aqui, não é essa maravilha toda quando se trabalha com dados reais e não com a propaganda do governo”, ressaltou.
Questionado sobre as principais medidas que pretende tomar caso se eleja, Requião Filho respondeu: “reverter as privatizações no ensino e em nossas empresas estratégicas”. Ele acrescentou que “perdemos o controle da qualidade do ensino no Paraná, bem como da Copel (Companhia Paranaense de Energia) e da Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná), o que tem aumentado muito o custo do estado”.
Mais adiante, explicou que “nas mãos do estado, a Copel teria tarifas mais baixas e serviços melhores. Ela era a empresa número 1 do estado e do Brasil com a menor tarifa. Hoje, tem uma das mais caras e está em 29º lugar em qualidade segundo índices nacionais, com quase 90% de reprovação estado”.
Requião Filho ainda lembrou que a empresa foi vendida por um valor muito abaixo do de mercado e mencionou denúncia, segundo ele levantada pelo MBL, de que a compra da Copel teria sido feita “por meio de um conluio entre o (banco) BTG, o (Nelson) Tanure (empresário que comprou a estatal) e o (Daniel) Vorcaro, dono do Master”. Ele completou dizendo que “seria este o motivo, conforme Renan Santos, para que o Ratinho desistisse da corrida presidencial. Estando no governo, vamos investigar essa denúncia”.
Com relação à privatização na educação, o candidato classificou como “um atraso” o programa que vem sendo implementado pelo governador bolsonarista Ratinho Jr. “A educação em si deixa de ser prioridade e esta passa a ser o lucro. As escolas são beneficiadas e ganham bônus pelo número de alunos aprovados e por presença (…)”, afirmou.
No que diz respeito à classificação no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), aplicado pelo Ministério da Educação, o candidato ressaltou que escolas do Paraná “têm sido denunciadas por fraudes tanto na alteração, feita por chefes de núcleos e diretores, da nota de alunos que foram reprovados pelos professores quanto por faltas que foram abonadas dentro do sistema. (…) O aluno tem de estar na escola e passar de ano por mérito e não para que o estado atinja números bonitos no Ideb e faça propaganda”.
Ele defendeu que “para termos qualidade no ensino, temos de valorizar o aluno e também os educadores. Vamos retomar a formação continuada que tínhamos e vamos estendê-la para todos os trabalhadores da educação”, disse, acrescentando ainda a necessidade de haver concurso público na área.
Nesse ponto, Requião Filho também criticou o modelo de escolas cívico-militares. “Não é um modelo pedagógico. É uma escola com um currículo igualzinho ao da escola pública normal, com policiais dentro, colocando crianças para marcharem e fingindo que ensinam educação cívica sem nenhuma preparação pedagógica”, opinou.