Lindbergh pede ao STF apuração sobre Flávio e empresário ligado a Covaxin e Master

O advogado Willer Tomaz ao lado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Reprodução

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, pediu ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que abra uma investigação sobre as relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado e empresário Willer Tomaz. A notícia de fato solicita que a Polícia Federal apure se Tomaz e empresas ligadas a ele atuaram como interpostas pessoas do senador.

O pedido reúne elementos relacionados a três frentes: o contrato da Covaxin, as fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS e negócios associados ao Banco Master. Lindbergh pede o cruzamento das provas e a identificação de quem paga e se beneficia de imóveis e aeronaves vinculados a Willer e usados por Flávio.

Na petição, o deputado cita a intermediação feita por Flávio, em outubro de 2020, de uma reunião entre o então presidente do BNDES e Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos. Meses depois, a empresa intermediou o contrato de R$ 1,614 bilhão para a compra de 20 milhões de doses da Covaxin.

A CPI da Pandemia investigou as conexões entre Flávio, Maximiano, Willer e pessoas próximas ao senador. Uma diligência que buscaria levantar os vínculos societários de Willer, porém, não foi realizada, conforme relata a representação levada ao STF.

Petição cita Operação Sem Desconto e imóvel ligado ao Banco Master

No núcleo que trata dos descontos ilegais em benefícios previdenciários, Lindbergh menciona a Operação Sem Desconto. A Polícia Federal descreveu Willer como “hub financeiro, patrimonial e logístico” de um núcleo político investigado, segundo o documento.

A representação também afirma que a administradora do escritório de advocacia de Flávio declarou ter sido indicada pelo senador. Ela é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado como sócio do chamado “Careca do INSS” em uma offshore.

O terceiro ponto envolve a WT Administração de Imóveis e Bens, empresa ligada a Willer. A companhia comprou por R$ 3,5 milhões, de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, um apartamento que havia custado R$ 5,5 milhões dez meses antes. Depois da operação, Flávio usou o imóvel como base de sua campanha presidencial em São Paulo.

Lindbergh pede que o STF autorize o compartilhamento de dados das operações Sem Desconto e Compliance Zero, além de relatórios de inteligência financeira e registros patrimoniais. Após manifestação da Procuradoria-Geral da República, o deputado também solicita que Dino avalie a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Willer, da WT e do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.

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