
A médium Máira Rocha é acusada de forjar cartas psicografadas com informações públicas obtidas na internet. O programa “Fantástico” relatou que os denunciantes identificaram em mensagens atribuídas a parentes mortos dados publicados em redes sociais, inventários, obituários e boletins de ocorrência.
Advogada e servidora do Ministério da Saúde, Máira ganhou fama no meio espírita como médium. No início de 2026, ela fundou a Casa da Caridade Inácio Daniel, instituição dedicada a atividades assistenciais e espirituais. A página da entidade no Instagram tem 767 mil seguidores.
A entidade atende cerca de 5 mil pessoas por mês e se mantém com doações. Entre as atividades oferecidas estão a distribuição de alimentos, roupas e agasalhos, atendimentos espirituais e as chamadas cartas consoladoras.
A Casa da Caridade Inácio Daniel também promoveu leilões de roupas, bijuterias e outros objetos usados por Máira em sessões. Pessoas enlutadas teriam destinado milhares de reais às peças oferecidas pela instituição.
O presidente da Federação Espírita Brasileira, Jorge Godinho, afirmou que a doutrina não autoriza nem ensina esse tipo de leilão. Ele defendeu que o trabalho mediúnico ocorra de forma desinteressada.

As denúncias contra a médium
Uma das denúncias aponta que uma carta pediu a doação de uma poupança de R$ 300 mil ao centro. Máira é investigada por suspeitas de estelionato, charlatanismo, ameaça, calúnia e difamação. Os relatos indicam que as cartas reproduziam até erros de digitação presentes nas publicações das famílias. As denúncias levaram ao registro de boletins de ocorrência e à abertura de processos em pelo menos cinco estados.
A Federação Espírita Brasileira e a Federação Espírita do Distrito Federal divulgaram orientações para que fiéis desconfiem de práticas mediúnicas com exigência de pagamentos, doações financeiras ou inconsistências factuais.
A Polícia Civil do Distrito Federal também apura a atuação de uma suposta milícia digital formada por seguidores da médium. O grupo é acusado de coordenar ataques e ameaças contra jornalistas, políticos e famílias que denunciaram o caso.
A médium e a Casa da Caridade Inácio Daniel negam as acusações. A defesa afirma que ela sofre perseguição e intolerância religiosa e cita as ações sociais da instituição e relatos de famílias que dizem ter encontrado conforto nas cartas.