Kassio muda regras a pedido de Flávio Bolsonaro e irrita instituto de pesquisas

Ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE
Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Foto: Reprodução

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, passará a cobrar informações mais detalhadas sobre a metodologia de pesquisas eleitorais registradas no país. A exigência entra em vigor no dia 5, logo após o primeiro turno, e gerou críticas de institutos que apontam mudança de regras durante a campanha.

O novo formulário do Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) tem nove páginas e pedirá, entre outros dados, os municípios pesquisados e a data e o horário exatos de início e término das entrevistas. As empresas também precisarão informar a base utilizada, limitações de cobertura e o emprego de áudio, vídeo ou imagens nos questionários.

Em ofício assinado em 17 de setembro, Kassio afirmou que os novos recursos buscam ampliar a padronização e o detalhamento das informações metodológicas.

“As empresas continuarão realizando o preenchimento dos campos atualmente existentes no sistema e passarão a fornecer informações complementares destinadas a detalhar aspectos metodológicos das pesquisas registradas”, escreveu o presidente do TSE.

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) contestou a forma de implantação. A entidade disse que não critica a finalidade da medida, mas “o momento, a forma e o procedimento adotados” para incluir as exigências, e defendeu prazo para testes, adaptação e debate específico com o setor.

O senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Institutos questionam prazo e critérios do novo formulário

Luciana Chong, diretora do Datafolha, defendeu que as diretrizes começassem a valer apenas na próxima eleição. Para ela, o sistema do tribunal já tem alto grau de complexidade, e a inclusão de novos campos pode dificultar o trabalho das empresas sem esclarecer qual problema o TSE pretende resolver.

“Várias dessas perguntas a gente já responde. Margem de erro, intervalo de confiança, o tipo de abordagem. Tudo isso já é informado. Acho que não foi uma coisa muito bem pensada. Não me parece nada prático fazer isso. E qual é o objetivo?”, disse Chong.

A estatística Renata Nunes Cesar, responsável pelo Datafolha, citou a necessidade de informar quantos entrevistados abandonaram a pesquisa antes do fim do questionário. Márcia Cavallari, líder de opinião pública da Ipsos-Ipec, afirmou que o tribunal poderia permitir o cadastramento aprofundado da metodologia de cada instituto, em vez de impor um novo questionário a cada levantamento.

As mudanças incluem a obrigação de detalhar conteúdos de mídia usados nas entrevistas. A cobrança ganhou força após a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pedir ao TSE a suspensão de uma pesquisa Atlas/Bloomberg que apresentou aos entrevistados um registro do senador pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL).

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