PT aciona PGR por contratos sem licitação de instituto de Mendonça

André Mendonça durante palestra no Instituto Iter. Reprodução

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e deputados da bancada paulista do partido acionaram nesta quinta-feira (3) a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que investigue contratos públicos celebrados sem licitação pelo Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A notícia de fato aponta suspeitas de contratação direta ilegal, falsidade ideológica e possíveis violações às restrições constitucionais impostas a magistrados. O pedido concentra-se inicialmente em dois contratos firmados em São Paulo, que somam cerca de R$ 2 milhões. A apresentação da representação não significa que uma investigação tenha sido aberta nem comprova a ocorrência dos crimes mencionados.

Segundo os parlamentares, Mendonça e sua esposa controlavam, por meio de outra empresa, 77,5% do capital do instituto. O ministro anunciou nesta quinta-feira que deixará a sociedade, cederá as cotas do casal sem contrapartida financeira e permanecerá ligado à entidade apenas como professor. O Iter será transformado em uma organização sem fins lucrativos.

Pedro Uczai, líder do PT na Câmara dos Deputados. Reprodução

Um dos contratos questionados foi celebrado com a Prefeitura de São Paulo por R$ 380 mil. O próprio estudo técnico elaborado pelo município registrou a existência de cursos semelhantes com maior carga horária e preços inferiores, mas justificou a escolha do Iter por características como formato presencial, conteúdo voltado à alta administração e possibilidade de networking. Outro contrato, firmado com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), teve valor de R$ 1,63 milhão.

A representação pede que a PGR apure se houve direcionamento e se a ligação do instituto com um ministro do STF foi usada para justificar a inexigibilidade de licitação. Os deputados também solicitam a preservação imediata dos documentos societários, contábeis e financeiros da entidade, além do rastreamento dos recursos recebidos.

Um levantamento divulgado pela revista Fórum identificou ao menos 55 contratos e instrumentos públicos do Iter, no valor aproximado de R$ 10,85 milhões. Desse total, 54 — equivalentes a 98,2% — teriam sido firmados sem licitação. O instituto afirma que suas contratações estão amparadas pela Lei de Licitações e que os valores refletem o escopo, a carga horária e o público atendido.

Os parlamentares também querem que os órgãos contratantes sejam cruzados com processos sob a relatoria de Mendonça. O instituto já havia sido alvo de questionamentos depois que o ministro interrompeu o julgamento que pode cassar o governador de Roraima, Antonio Denarium, cujo governo havia contratado o Iter por R$ 273 mil.

Artigo Anterior

Dirigente do PCdoB destaca papel da militância no último mês de campanha

Próximo Artigo

Bloqueio russo no Mar Negro ameaça exportações de grãos para Europa

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!