
O professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense (UFF) Gustavo Sampaio afirmou que o áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre um suposto financiamento de uma cinebiografia de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tem valor jurídico, nas condições em que veio a público.
Em entrevista ao programa “WW”, Sampaio avaliou que o conjunto de elementos divulgado pela revista Veja não cumpre os requisitos mínimos para adquirir relevância jurídica. O áudio trata de uma suposta relação entre Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o financiamento do filme sobre Lula.
O constitucionalista apontou que o material não integra anexos de colaboração premiada, não consta em autos de inquérito policial e também não faz parte de ação penal ou de investigação conduzida pelo Ministério Público.
Para o professor, uma perícia precisa verificar a autenticidade e a integridade do conteúdo antes de qualquer conclusão. “É preciso periciar para que a verdade venha à tona e para que se tenha conhecimento pleno do que de fato aconteceu”, afirmou.

Professor defende sindicância sobre origem do material
Sampaio também defendeu uma investigação sobre a origem e a divulgação do suposto conteúdo probatório. Segundo ele, uma sindicância deve apurar a que interesse serviria o eventual plantio do material.
O especialista disse que a apuração técnica precisa ocorrer com rapidez, diante dos efeitos que uma gravação sem validação oficial pode produzir no debate público. A defesa de Vorcaro afirmou não confirmar a autenticidade do áudio.
O professor relacionou a circulação de especulações sem perícia ao ambiente eleitoral de 2026. “Típicas de um momento de campanha eleitoral, sobretudo um segundo turno de uma campanha eleitoral disputadíssima”, disse.
Ao comentar a sensibilidade do tema, Sampaio afirmou que é preciso respeitar o eleitor, “que é o titular da soberania popular” e decide o futuro do país. Ele alertou que avaliações precipitadas sobre conteúdos não submetidos à perícia oficial são perigosas.