
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta sexta-feira (2) que vê suspeitas de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e criticou o fechamento de embaixadas e consulados americanos. Para ele, a medida busca influenciar a opinião pública no país durante a disputa presidencial. Com informações de Folha de S.Paulo.
“Isso é inédito”, disse Edinho, em entrevista a jornalistas em São Paulo. “Não tem o menor sentido, é uma das formas que o [Donald] Trump tem pra fazer disputa da opinião pública brasileira, infelizmente é isso”, afirmou.
Mais tarde, autoridades informaram que a embaixada dos EUA no Brasil fechou após uma suposta ameaça de bomba publicada em rede social. A investigação concluiu que não havia risco, segundo a informação divulgada na tarde desta sexta.
Edinho declarou que o PT já apresentou denúncias sobre possível interferência internacional no processo eleitoral. “Se ficar caracterizado que houve interferência na disputa eleitoral brasileira, a legislação brasileira é clara. Ela pune”, disse.

PT fala em cobrar apuração da Polícia Federal e do Ministério Público
O dirigente não detalhou qual medida judicial ou administrativa o partido pretende tomar, mas afirmou que cobrará atuação dos órgãos públicos. “A gravidade quem vai dizer é a Polícia Federal, é o Ministério Público. Se é uma interferência gravíssima, isso vai ser remetido a organismos internacionais. O que não dá é para ficar passivo.”
Na entrevista, Edinho chamou Trump de “maior líder fascista do século 21” e atribuiu ao presidente americano interferências eleitorais na Europa e na América Latina. Ele também disse que a campanha enfrenta um sentimento antissistema que, em sua avaliação, ultrapassa a disputa entre candidatos.
“Não estamos disputando contra Flávio [Bolsonaro], estamos disputando contra o sentimento de mudança. Flávio catalisa esse sentimento”, afirmou. Edinho defendeu reformas no sistema político e no Judiciário e declarou que “o sistema político brasileiro apodreceu”.
Ao comentar o debate da TV Globo cancelado depois que Flávio Bolsonaro desistiu de participar, Edinho defendeu a decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, de vetar um púlpito vazio para Lula. Ele disse que Lula deve participar de debates em um eventual segundo turno e que o PT discutiria os próximos passos da campanha em reunião na capital paulista.