Presidente de ultradireita da Colômbia defende bombardeios que mataram 4 menores

Espriella Colômbia
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella. Foto: Nathalia Angarita/Reuters

Quatro menores de idade morreram nos primeiros bombardeios ordenados pelo governo do presidente colombiano Abelardo de la Espriella contra grupos armados. Três adolescentes foram mortos no ataque de 27 de agosto em El Retorno, no departamento de Guaviare, e outro havia morrido em uma operação anterior no Catatumbo, na fronteira com a Venezuela. Desde que o presidente tomou posse, em 7 de agosto, os ataques aéreos deixaram ao menos 26 mortos, segundo a France Presse.

O bombardeio mais recente atingiu áreas de acampamento de uma dissidência das antigas Farc vinculada à facção de alias Calarcá. Dez pessoas morreram. O Instituto Nacional de Medicina Legal identificou nove corpos e constatou que três eram de menores de idade. O Ministério da Defesa informou posteriormente que eram dois adolescentes de 15 anos e um de 16. Um quarto menor, também de 16 anos, foi identificado entre os mortos em um bombardeio realizado anteriormente no Catatumbo.

De la Espriella reagiu às mortes reiterando seu apoio às operações. “Todo o meu apoio às operações militares que combatem (…) os grupos narcoterroristas”, escreveu o presidente em uma publicação no X. Ele afirmou que grupos armados recrutam crianças e adolescentes “para transformá-los em combatentes ou em escudos humanos” e disse que os responsáveis por essa prática devem responder pelos crimes.

A declaração transfere o foco do presidente para o recrutamento de menores pelas organizações armadas, mas não há, nas informações divulgadas até agora, comprovação pública de que os adolescentes mortos nessas operações tenham sido utilizados como escudos humanos. O governo e as Forças Militares afirmam que os mortos em Guaviare integravam uma estrutura armada e estavam em atividade de combate.

Organizações de defesa dos direitos humanos questionaram os riscos desse tipo de operação em regiões onde grupos ilegais recrutam crianças e adolescentes. O debate ganhou força após a confirmação das idades das vítimas, já que a presença conhecida ou previsível de menores impõe às forças militares obrigações adicionais de precaução na escolha dos alvos e na condução dos ataques.

De la Espriella assumiu a Presidência prometendo endurecer o combate às guerrilhas e ao narcotráfico. Durante a campanha, ele já defendia bombardeios contra acampamentos de grupos classificados por seu campo político como “narcoterroristas”.

Poucos dias depois da posse, o novo governo também aprofundou a cooperação militar com Washington. Em agosto, os Estados Unidos anunciaram que a Colômbia havia autorizado operações conjuntas contra organizações classificadas como terroristas e redes vinculadas ao narcotráfico. As novas mortes colocam a política de bombardeios do governo sob pressão justamente pelo impacto sobre menores recrutados por esses grupos.

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