
Em editorial publicado nesta segunda-feira (21), o jornal O Globo defendeu que, além do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça também deve prestar explicações pela forma como tem tratado os casos relacionados a Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master.
O veículo, ainda o defendendo na relação com o “adversário” na Corte, alegou que o magistrado bolsonarista demorou de março a agosto para perguntar à PF quem eram os interlocutores de Vorcaro, e só tornou o caso público em setembro, durante a campanha eleitoral, enquanto manteve sigiloso o inquérito sobre Flávio Bolsonaro (que pediu R$ 130 milhões para o filme do pai). O Globo exige que o STF autorize a investigação de Moraes e apure se Mendonça abusou do poder, sob pena de o Senado agir. Leia trechos do editorial:
O Brasil não tem mais dúvidas de que o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado. […] Ainda não se sabe se Moraes é culpado, mas apenas uma investigação poderá levar a um processo judicial e, eventualmente, a julgamento. Para se defender, ele terá a seu dispor todas as garantias que nosso ordenamento jurídico prevê.
A análise dos fatos demonstra que o ministro André Mendonça fez o que tinha de fazer. Descobrir oficialmente — e não por meio da imprensa — quem era o interlocutor de Vorcaro. Como pedir a investigação de um colega sem um mínimo de indícios?
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O que se estranha é a cronologia. Em 6 de março de 2026, Mendonça ao que parece tomou conhecimento de que um perito, em 1° de dezembro de 2025, havia acessado o laudo pericial com dados extraídos do celular de Vorcaro e produzido, três dias depois, os arquivos “Moraes.pdf” e “Toffoli.pdf”.
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Somente em 24 de agosto deste ano, indagou da PF quem eram os interlocutores de Vorcaro citados num relatório anterior. No dia 27, a PF respondeu, revelando a identidade de Moraes. […] A pergunta que fica é: por que Mendonça esperou de março a agosto para perguntar oficialmente o nome daqueles com quem Vorcaro conversava? É evidente que precisava da informação, mas por que não perguntou antes?
[…]
O STF só tem uma saída para recobrar a credibilidade hoje em xeque: primeiro, autorizar a investigação sobre Moraes e, depois, decidir se Mendonça abusou de seu poder ao esconder um procedimento e divulgar o outro. Se, no decorrer das investigações, e com fundamentação, os nomes de outros ministros surgirem ligados a Vorcaro, que sejam investigados a seu tempo.
O caminho será duro e espinhoso. Mas ou o Supremo decide percorrê-lo com coragem, ou a instância responsável por zelar pelo decoro de seus ministros — o Senado — tomará as providências necessárias. É uma exigência do povo brasileiro e da Constituição.
