Por Professora Francisca
A diferença entre escola em tempo integral e educação integral é que a educação integral, a qual defendemos, leva em conta toda a comunidade escolar e a necessidade de termos educação pública gratuita, de qualidade e diversa. Que atenda a demanda das famílias da classe trabalhadora para garantir futuro com mais dignidade às filhas e filhos de quem vive de vender a sua força de trabalho e às necessidades de um projeto de desenvolvimento nacional com distribuição de renda.
É bem importante o Programa Escola em Tempo Integral, do governo Lula, mas para não ser uma mera tentativa de tapar o sol com a peneira como faz o governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, precisamos ampliar o conceito para educação integral porque apenas ampliar o horário de permanência na escola, sem acrescentar tudo o que é necessário para o desenvolvimento adequado do processo de aprender e ensinar, corre-se o risco de ser inócuo como ocorre em São Paulo.
Para isso, é necessário investir massivamente em educação pública para a construção de novos prédios escolares, adequados para os estudantes e para a boa administração das aulas, assim como é preciso reformar os prédios existentes, porque a maioria não conta com espaço suficiente para aulas de esporte, artes e ciência. Além de inadequados à acessibilidade.
Também é essencial que todas as escolas tenham biblioteca funcionando. É primordial ter interdisciplinaridade para que o aprendizado seja mais pleno. Mas tudo isso só pode funcionar se houver gestão democrática dos governos estaduais e das prefeituras.
Além desses quesitos, não pode haver educação integral sem a necessária valorização profissional de quem trabalha na educação. É necessário debater os salários, mas não tão somente. Precisamos de plano de carreira sólido, de formação continuada, além de um piso salarial adequado e que seja respeitado em todo o território nacional e não se transforme em teto, como ocorre em estados e municípios.
A realização de concurso públicos é outro item crucial para acabar com os chamados “cargos temporários” e termos a efetivação como meta para que as condições de trabalho sejam pautadas pelos direitos e por respeito.
Professora Francisca é diretora da Secretaria de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, diretora executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e diretora da CTB-SP.