
O senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a receber ataques mais diretos de adversários da direita depois de intensificar a campanha pelo voto útil no primeiro turno das eleições de 2026. A estratégia busca atrair eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), que reagiram à ofensiva.
Antes, esses candidatos concentravam críticas no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem tratar Flávio como o principal rival. A disputa pelos votos à direita mudou depois que o senador pediu apoio inclusive a eleitores que ainda preferem outro nome.
“Eu faço um apelo a você que não me tem como primeira opção. Considere votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Vamos resolver essa parada já no primeiro turno”, afirmou o candidato do PL na semana passada.
Aliados de Flávio também procuraram interlocutores ligados a Zema, Caiado e Cury para sondar possíveis desistências e uma concentração de forças em torno de sua candidatura. As conversas encontraram resistência entre os demais grupos políticos.

Rivais questionam crescimento de Flávio Bolsonaro
Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira colocou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio com 33%. Cury marcou 6%, Caiado teve 4%, Renan alcançou 3% e Zema registrou 1%; juntos, os quatro candidatos somaram 14%.
Após o debate promovido pelo Flow, do qual Flávio não participou, Cury afirmou que o senador “sempre foge”, questionou sua experiência administrativa e classificou como “promíscua” a relação dele com o Banco Master. O candidato do Avante também citou a antiga loja de chocolates de Flávio e a operação Dark Horse, relacionada ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
Caiado contestou o argumento de que Flávio seria a opção mais competitiva da direita contra Lula. “Quem está apostando no Flávio, na verdade, está apostando na loteria, porque ele tem 50% de rejeição e não tem como crescer. Eu tenho como crescer”, disse o governador de Goiás antes do debate do Flow.
Zema passou a explorar o caso Banco Master e criticou personagens ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O governador mineiro cobrou a saída do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto dos dois em Londres, e afirmou que Vorcaro “comprou muito político vendido”, citando integrantes do PT e do PL.
Renan Santos disse que pessoas ligadas a Flávio tentaram abrir uma conversa por meio de amigos em comum, mas ele recusou a aproximação e descartou apoiá-lo em um eventual segundo turno. “Se tem algum efeito, é um efeito marginal. Ele está aproveitando o momento que agora é bom para ele para tentar fazer isso”, afirmou.
Flávio evita responder aos ataques e tenta falar com eleitores que guardam ressalvas sobre Jair Bolsonaro e Lula. Em inserção de rádio, disse: “Tenho minhas qualidades, meus defeitos, mas sou diferente dos dois” e pediu um voto de confiança para “fazer o Brasil voltar a vencer”.