
A campanha do presidente Lula (PT) planeja explorar a mudança de posição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o fim da escala 6×1 para questionar a confiabilidade do candidato à Presidência. O senador anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho. Com informações de Folha de S.Paulo.
Flávio havia classificado como oportunista o debate sobre a escala 6×1 durante o período eleitoral. Após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar depois de condenação por tentativa de golpe de Estado, ele declarou apoio ao texto: “A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6×1, então vou votar a favor”.
O advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo e do grupo Prerrogativas, afirmou que o recuo ocorreu por cálculo eleitoral. Para ele, o senador procurou Jair Bolsonaro para obter aval para rever um compromisso que havia assumido com parte do empresariado.
“Flávio é frouxo. Não tem condições de sustentar as posições que assume, os acordos que faz”, disse Marco Aurélio. Ele acrescentou que a mudança demonstraria, na avaliação da equipe petista, que o candidato do PL “não é confiável”.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou a defesa pelo fim da escala 6×1, que começa a ser discutida no Senado nesta terça (6): “Nossa proposta é dar a liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade”.
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— Hugo Gloss (@HugoGloss) October 6, 2026
Votação da PEC está prevista para quarta-feira (14) no Senado
A PEC que acaba com a escala 6×1 deve entrar em votação nesta quarta-feira (14), conforme a pauta definida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A aprovação criaria um dia adicional de folga sem redução salarial.
Marco Aurélio Carvalho afirmou que o novo posicionamento de Flávio pode ampliar o apoio à proposta no Senado, mas avaliou que a decisão poderá ter efeito eleitoral negativo para o candidato. “Quando revê, por um mero cálculo eleitoral, ele mostra para parte da base dele que ele não é confiável”, declarou.
O coordenador também questionou se Flávio manterá outras posições defendidas durante a campanha, como a proibição das bets e a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As perguntas devem integrar a linha de ataque da campanha petista contra o senador.
No segundo turno, Lula aposta na aprovação da redução da jornada como uma das medidas para tentar reverter a desvantagem nas pesquisas. Flávio Bolsonaro lidera a disputa, segundo o cenário descrito por integrantes da campanha do presidente.