
A senadora Tereza Cristina (PP), ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, ganhou força entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) para comandar o Itamaraty em um eventual governo do candidato. O nome surge como alternativa a Eduardo Bolsonaro, que se apresenta a interlocutores como possível futuro chanceler, segundo a coluna de Janaína Figueiredo no UOL.
Uma ala ligada à campanha de Flávio resiste à indicação de Eduardo para o Ministério das Relações Exteriores. Integrantes desse grupo defendem uma política externa concentrada em comércio e investimentos, com menos peso para disputas ideológicas.
Essa corrente avalia que Eduardo causou dificuldades diplomáticas durante o governo de Jair Bolsonaro, sobretudo nas relações com a China. Mesmo setores bolsonaristas mais ideológicos consideram que o Brasil precisa preservar os vínculos comerciais e econômicos com Pequim.
O encontro recente de Flávio Bolsonaro com embaixadores em Brasília também provocou incômodo entre aliados. Eles compararam a iniciativa à reunião promovida por Jair Bolsonaro com diplomatas estrangeiros no fim de seu mandato, quando o então presidente questionou o sistema eleitoral brasileiro.

Outros nomes circulam para comandar a diplomacia
Além de Tereza Cristina, interlocutores mencionam o ex-embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, e o economista Marcos Troyjo. Troyjo ocupou cargos na área de comércio exterior no governo Bolsonaro e presidiu o Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do BRICS.
O ex-chanceler Carlos França também aparece nas conversas, assim como diplomatas da ativa. Dentro do Itamaraty, Tereza Cristina tem boa recepção, e sua possível escolha conta com apoio de setores empresariais que vão além do agronegócio.
Flávio Bolsonaro não descartou publicamente a possibilidade de nomear o irmão, mas indicou a pessoas próximas que o destino de Eduardo ainda não está definido. Caso seja eleito, ele terá de decidir entre bancar o aliado mais ideológico ou atender às resistências de setores políticos, empresariais e diplomáticos.
Eduardo defende, entre outras medidas, a transferência da Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, proposta que já enfrentou oposição no governo de Jair Bolsonaro. Pessoas próximas a Flávio negam que exista uma decisão tomada sobre o tema, enquanto representantes do agronegócio temem perdas em mercados do mundo árabe.