Operação contra “Dark Horse” mirou empresário ligado ao PCC e réu por feminicídio

Maria Katiane Gomes da Silva e Alex Leandro Bispo dos Santos
Maria Katiane Gomes da Silva e Alex Leandro Bispo dos Santos. Foto: Reprodução

A operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Flávio Dino, que apura o uso de emendas parlamentares por empresas ligadas ao deputado federal Mário Frias (PL-SP) e à empresária Karina da Gama, alcançou Alex Leandro Bispo dos Santos. Ele é réu por feminicídio e responde a acusações de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em dezembro de 2025, ele foi preso após a morte da então esposa, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos. Imagens de segurança mostram o casal brigando no elevador do prédio em que moravam em São Paulo. Minutos depois, ela caiu do 10° andar.

Alex, de 40 anos, é dono da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., empresa subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina da Gama. A empresária também comanda a GO UP Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro que tem roteiro assinado por Frias.

A Justiça condenou Santos por roubo majorado, estelionato, receptação e falsa identidade. As penas somam 34 anos de prisão, e ele passou 13 anos em regime fechado, incluindo período na Penitenciária II de Presidente Venceslau, em São Paulo.

O Ministério Público registrou que Santos se apresentava como “Escorpião do PCC”, expressão associada a integrantes da facção. Em um áudio gravado por um vizinho, ele afirmou: “Tenho escorpião do PCC e num devo satisfação”.

Karina da Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: reprodução

Empresa de Alex recebeu R$ 2 milhões do instituto de Karina da Gama

A ligação entre Santos e Karina ocorreu no contrato para instalar 5 mil pontos de wi-fi em comunidades das zonas Oeste e Sul da capital paulista. A apuração identificou uma transferência de R$ 2 milhões do ICB para a Favela Conectada.

O inquérito da Polícia Civil de São Paulo investiga suspeita de desvio de parte dos recursos municipais pagos ao ICB para a GO UP Entertainment. A Justiça prorrogou a investigação por 90 dias em decisão de 31 de agosto, e o processo tramita sob sigilo.

O juiz negou, porém, o pedido de acesso aos dados financeiros de Karina e de suas empresas. Na decisão, apontou que a polícia não individualizou indícios nem especificou operações, relações comerciais ou fluxos financeiros que justificassem a consulta a informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

O contrato da Prefeitura de São Paulo com o ICB começou em 2024 e previa a instalação dos 5 mil pontos de internet em 2025. Até agora, 3,2 mil instalações foram executadas; a gestão Ricardo Nunes (MDB) declarou que a produção do filme não recebeu recursos municipais e que qualquer vínculo entre a contratação e a obra cinematográfica é “descabido”.

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