
O pastor evangélico e empresário Ademar de Sena Sampaio virou alvo da Polícia Federal na operação Make Up, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos ligados à produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação também alcança o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina da Gama.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação deflagrada na quinta-feira (10). A decisão impôs a Ademar a proibição de deixar o país sem autorização judicial, a entrega dos passaportes à PF e a vedação de contato direto ou indireto com os demais investigados.
Nos autos, o bolsonarista Ademar aparece como um elo entre Karina da Gama, ligada à produção do longa, e Mário Frias. A apuração cita sua proximidade política com o deputado, que também entrou na lista de alvos das medidas judiciais.
O pastor figura como sócio-dirigente da Upcon Serviços Especializados, empresa criada em 2016 e voltada à construção de edifícios, com capital social de R$ 800 mil. A PF investiga contratos da companhia para obras em Camacan, na Bahia, incluindo módulos sanitários e um galpão industrial.

Empresa de Ademar recebeu contratos para obras na Bahia
Parte dos recursos destinados às obras de Camacan teve origem em emendas do chamado Orçamento Secreto e em emenda de uma deputada do PCdoB. A investigação apura o caminho de verbas repassadas a uma organização da sociedade civil por meio de termos de fomento.
Embora a decisão mencione os vínculos de Ademar com a empresa investigada, o documento não atribui ao pastor uma conduta específica relacionada ao suposto desvio de recursos dos termos de fomento. As cautelares buscam preservar a apuração enquanto a PF analisa os materiais recolhidos.
Ademar ocupava, desde outubro de 2019, um cargo de assessor comissionado no gabinete do deputado distrital Iolando (MDB-DF). Ele também é primeiro-tesoureiro da Assembleia de Deus de Brasília.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou duas transferências da Assembleia de Deus de Brasília para a conta de Ademar, de cerca de R$ 31,5 mil e R$ 22,3 mil. Os valores somam mais de R$ 53,8 mil no período analisado.