O político que causou revolta no PSDB por apoiar Tarcísio em troca de cargo

Carta aberta de militantes históricos do PSDB
Paulo Serra, presidente do PSDB-SP, Tarcísio de Freitas, governador de SP, e Gilvan Ferreira, prefeito de Santo André. Foto: reprodução

Militantes históricos do PSDB divulgaram uma carta aberta contra a direção do partido em São Paulo, presidida pelo ex-prefeito de Santo André Paulo Serra desde 2023. O grupo questiona o apoio da Federação PSDB-Cidadania à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) após o dirigente ser indicado à Presidência da Fundação Casa e a decisão de não apresentar candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes.

“A direção provisória – não escolhida em convenções democráticas – tomou decisões que afrontam nossa história e desrespeitam nossos filiados”, afirma a carta. O texto chama de “mais grave” a renúncia a candidaturas majoritárias no estado e diz que a medida abandona a responsabilidade histórica da legenda.

Entre os signatários estão o ex-vereador paulistano Mário Covas Neto, filho do ex-governador Mário Covas, e o ex-senador e ex-presidente nacional do PSDB José Aníbal. A carta também acusa a direção de se afastar dos valores da social-democracia ao apoiar candidaturas “alinhadas a lideranças que flertam com o autoritarismo e com práticas antidemocráticas”.

Covas Neto criticou a forma como Paulo Serra conduziu a executiva estadual. “Desde a posse como presidente, ele já mudou a executiva muitas vezes, como quis. Eu mesmo fiz parte no ano passado e soube por acaso que tinha saído”, disse o ex-vereador. Ele afirmou que Serra organiza o partido de acordo com seus projetos políticos e os de sua mulher, a deputada estadual Ana Carolina Serra (Cidadania).

Paulo Serra atribui críticas ao desempenho eleitoral do grupo

Segundo Covas Neto, dirigentes estimularam Paulo Serra a disputar o governo paulista, mas o ex-prefeito rejeitava a hipótese. O presidente nacional do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), chegou a anunciar em entrevista que Serra concorreria ao Bandeirantes, embora o partido não tenha estruturado uma pré-campanha. Dias antes de o aliado Acácio Miranda assumir a presidência da Fundação Casa, Serra anunciou que deixaria de disputar a eleição.

Paulo Serra declarou que a executiva estadual decidiu apoiar Tarcísio por maioria. “Os princípios democráticos pregam que a minoria democrática respeita a decisão da maioria”, afirmou. Ele também atacou os autores da carta e citou a eleição municipal de 2024, quando a chapa formada por José Luiz Datena e José Aníbal recebeu 112.344 votos, menos de 2% do total, e terminou em quinto lugar na capital.

O presidente estadual disse que a candidatura de 2024 foi “pífia” e que o PSDB não elegeu vereadores em São Paulo. Serra afirmou ainda que o partido abriu uma sindicância para investigar as contas do diretório municipal paulistano, citando suspeitas de falta de transparência e despesas com dinheiro público, sem detalhar os valores ou irregularidades sob apuração.

O PSDB comandou o governo paulista entre 1994 e 2022, com sete vitórias consecutivas, mas perdeu o estado quando Rodrigo Garcia não conseguiu se reeleger em 2022.

A sigla hoje não tem deputados federais por São Paulo, conta com duas cadeiras na Alesp e elegeu 21 prefeitos no estado em 2024, ante mais de 170 seis anos antes. Para o Senado, a federação lançou Soninha Francine (Cidadania); pesquisa RealTime Big Data apontou a candidata com 3%, atrás de Guilherme Derrite (PP), Simone Tebet (PSB), André do Prado (PL) e Tabata Amaral (PSB).

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