O eleitor fez sua escolha e o futuro próximo é sombrio
por Marcio Valley
O resultado do primeiro turno surpreendeu muita gente, inclusive a mim. Não que apostasse todas as minhas fichas em uma vitória de Lula no primeiro turno, mas o percentual de votos no Zero Um foi inesperado, ainda que as pesquisas indicassem um quase empate entre os dois candidatos. Apesar das pesquisas, o esvaziamento das manifestações pró-Zero Um e o gigantismo daquelas pró-Lula passaram a impressão, que agora sabemos falsa, de que as chances de vitória de Lula no primeiro turno eram grandes. No mínimo, de que se houvesse segundo turno Lula largaria em grande vantagem.
Como vimos, a vantagem para o segundo turno está com o Zero Um.
Desde a primeira eleição presidencial, jamais o candidato com vantagem no primeiro turno perdeu as eleições. E há ainda o fator “Vitória em Minas”, segundo o qual todo candidato que vence em Minas vence no Brasil. O Zero Um preencheu os dois requisitos: venceu o primeiro turno e venceu em Minas.
Embora o jogo só termine com o apito final, de modo que nada está definido, o fato é que a maior possibilidade de vitória não está com Lula. Zero Um é favorito.
Nesse momento, pouco importam as razões que levaram o eleitor a votar como votou. Isso não possui mais relevância alguma. O estrago já está feito e é irreversível. Embora possa ter seus impactos reduzidos, o dano não poderá ser totalmente impedido.
A partir de janeiro de 2027 a extrema direita brasileira controlará o Senado Federal em virtude dos 49 senadores que conseguiu eleger. Além disso, a Câmara dos Deputados contará com 259 deputados de extrema direita e direita, se considerados os 121 do PL, 41 do Republicanos, 10 do Novo, e 87 da federação União Brasil com PP.
A extrema direita, com a adesão da direita, fará barba, cabelo e bigode. Definirá os rumos do Brasil, independentemente de quem seja eleito presidente. Se for Lula, ainda poderá existir alguma resistência. Num governo comandado pelo Zero Um não existirão limites para a criatividade da extrema direita em criar ações capazes de causar sofrimento na população, tal e qual Milei vem fazendo na Argentina.
O fato é que, mesmo com Lula reeleito, o que seria um fator de redução de danos, os prognósticos para o futuro próximo são bastante sombrios. 49 senadores representam três quintos do colegiado senatorial, que é o mínimo necessário para a aprovação das leis que forem de seu interesse próprio ou das bancadas corporativas que representam. Modificarão como quiserem nossa Constituição, salvo em relação às cláusulas pétreas. Poderão, apenas como exemplo, estabelecer idade mínima de 80 anos para a aposentadoria ou, quem sabe, acabar com ela, essa regalia absurda que legisladores do passado inexplicavelmente resolveram conceder aos trabalhadores. Para que aposentadoria, afinal? Dentro do pensamento liberal, cada pessoa deve ser responsável pelo próprio sustento enquanto estiver viva. E os doentes? Os parentes que cuidem; caso não tenham parentes, fazer o quê? O governo não é cuidador de doentes e idosos.
Modificações constitucionais com essa mesma natureza não representariam necessariamente violação ao princípio do retrocesso social e da dignidade do trabalhador. A idade para aposentadoria foi majorada pouco tempo atrás, para 65 anos, e não houve jurista algum que defendesse tal vedação. 65 anos já é idade de idoso, qual seria a diferença material para velhinhos de 80 ou 90 anos? A idade mínima para aposentadoria não se constitui em cláusula constitucional pétrea. Aliás, uma nova composição do Supremo poderia interpretar que sequer o instituto da aposentadoria é definida em cláusula pétrea, podendo simplesmente acabar.
De fato, caso o Zero Um vença a eleição presidencial, poderá indicar quatro novos ministros para o Supremo Tribunal Federal, sem contar os que serão eventualmente impedidos por vinculação com o Caso Master ou por retaliação pura e simples dos senadores bolsonaristas. Todos os indicados serão aprovados a toque de caixa por um Senado de direita. Isso garantirá a ausência de oposição do Supremo a qualquer modificação constitucional, desde que não envolva cláusula pétrea. Todavia, a nova composição do Supremo pode vir a acolher modificações em cláusulas constitucionais que agora são consideradas pétreas, mas que os novos ministros entenderiam não ser assim. Formando maioria, a hermenêutica jurídica admite qualquer interpretação, por mais esdrúxula que seja.
Seja Lula eleito ou não, Alexandre de Moraes corre imenso perigo de impeachment, assim como Flávio Dino, em relação ao qual inventarão alguma acusação que será acolhida. Talvez até Zanin se torne alvo. São necessários 54 senadores para aprovar o impedimento de um ministro do Supremo (dois terços) e a extrema direita já conta com 49 votos. Precisam agregar apenas 5 senadores para que alcancem tal resultado.
Já tivemos uma ideia desse poder de distorcer a lei por ocasião do impeachment de Dilma Roussef por um crime de responsabilidade que nunca existiu e também na prisão de Lula pela propriedade de dois imóveis que nunca foram e continuam não sendo de sua titularidade, os quais teriam sido dados a Lula em pagamento por um ato de ofício “indeterminado”, ou seja, inventaram um pagamento inexistente para um ato de ofício que não foi encontrado.
Não haverá medidas do Senado ou de um eventual governo do Zero Um que diretamente prejudiquem os ricos. Não estou falando de bilionários pois estes são imunes a decisões locais; sua riqueza transita pelo mundo; se der problema aqui, estarão garantidos lá fora. Além disso, no frigir dos ovos, os votos dos parlamentares são por eles teleguiados, jamais seriam prejudicados.
Falo da pequena riqueza, o que inclui a classe média alta. Esses serão prejudicados com o tempo e somente se darão conta disso após uns dois ou três anos, quando seus pequenos e médios negócios estremecerem ou falirem. O prejuízo deles virá de escolhas equivocadas que inevitavelmente serão feitas por um governo de extrema direita, como eleger parcerias geopolíticas com países que na verdade desejam nos colonizar e vampirizar, virando as costas para os que mantém relações comerciais saudáveis e extremamente benéficas para o Brasil, como a China ou a relação com os demais países do Brics.
Enquanto o Canadá, que era praticamente um “puxadinho” estadunidense, finalmente se dá conta da vilania dos EUA e dele busca se afastar, a nossa extrema direita nos oferece de bandeja a Trump como um substituto para a subserviência que era praticada pelos canadenses.
Assim como está ocorrendo na Venezuela, um eventual governo do Zero Um entregará aos EUA o domínio sobre nossas riquezas naturais, inclusive terras raras e petróleo. Detalhe: nosso petróleo é classificado como médio a leve, sendo menos viscoso, mais fluido e fácil de transportar e refinar do que o venezuelano, considerado pesado e extrapesado. Esperem e verão o que de fato está atraindo o interesse de Trump em nosso país. Spoiler: não é a vontade de defender a democracia e a liberdade de expressão ou combater facções criminosas categorizadas como “terroristas”.
Quanto ao orçamento, tampouco os ricos precisam se preocupar. A soma das fatias orçamentárias anuais destinadas aos juros da dívida pública, cerca de R$ 1,2 trilhões, e à renúncia fiscal federal (aquilo que se deixa de tributar para favorecer de empresas e empresários), de quase R$ 1 trilhão, juntas chegando mais de 30% de um orçamento federal que, em 2026, foi de cerca de R$ 6,5 trilhões, não será impactada por nenhuma medida restritiva. Possivelmente, essa forma de Robin Hood às avessas, na qual se tira dos pobres para dar aos ricos, será ampliada.
Todavia, os pobres quase certamente serão extirpados do orçamento federal, pois é assim que governos neoliberais atuam. Foi assim com Collor, com FHC, com Temer e com Jair Bolsonaro. Aposentadorias, pensões e programas de renda mínima serão extintos ou reduzidos a quase nada.
O desemprego grassará; a fila do osso voltará; o Brasil retornará ao mapa da fome; a criminalidade urbana aumentará na mesma proporção em que a renda do povo sumir.
A educação pública federal (universidades e escolas técnicas federais) sofrerá imensos cortes de gastos, como Jair Bolsonaro já havia feito. As vagas serão reduzidas ao máximo e é provável que a quantidade de instituições, multiplicadas por Lula, seja bastante reduzida. Alunos perderão vagas e professores e servidores sofrerão cortes salariais.
Qualquer cidadão minimamente consciente entende que a educação nunca foi um objetivo do bolsonarismo. Basta, à pessoa sensata, pesquisar o que houve durante o governo Bolsonaro, com imensos cortes orçamentários.
Nos quatro anos do governo neoliberal bolsonarista, os cortes na educação federal chegaram a cerca de R$ 113 bilhões, ou seja, R$ 28 bilhões a menos na educação a cada ano.
Importante ressaltar que, embora de ordem federal, essa redução no orçamento da educação atinge estados e municípios, em virtude de cooperações, convênios e repasses obrigatórios.
Não bastasse a imensa redução orçamentária, o descaso com a educação se revela, também, no pouco-caso com a nomeação do ministro da educação. Bolsonaro nomeou um cidadão chamado Abraham Weintraub como ministro da educação. Essa pessoa, a mais alta autoridade responsável pela educação nacional, simplesmente grafava as palavras da língua portuguesa incorretamente. São exemplos, “imprecionante” (em lugar de impressionante), “paralização” (paralisação), “suspenção” (suspensão), “antessessores” (antecessores), além de inventar um escritor chamado “Franz Kafta” (Franz Kafka). Pesquisem na internet e vejam por si mesmos, se é que não lembram desse fato notório.
Não é uma questão de elitismo ou de academicismo, mas de requisito técnico essencial para a função. Simplesmente não se coloca um arquiteto para realizar uma operação neurológica (precisa ser médico), assim como não se põe um biólogo para dar aula de português (a formação deve ser em letras) ou um pedreiro para comandar a Petrobras (é preciso sólido conhecimento teórico e prático em administração). É incompatível.
Ponha-se no lugar de um presidente do Brasil e responda honestamente: se você estivesse realmente preocupado com a educação dos jovens brasileiros, você cortaria o orçamento da educação e nomearia um ministro que, na prática, embora formado em economia, demonstra uma condição de iletramento? Ou aumentaria os recursos e nomearia um especialista em educação? Todos sabemos a resposta. Os eleitores bolsonaristas, apenas por uma questão de ego, podem mentir na resposta, mas intimamente sabem qual é o posicionamento correto.
Nossas reservas internacionais sofrerão redução brutal, como já ocorreu com todos os presidentes pós-Sarney que não se chamavam Lula. As reservas internacionais de um país são importantíssimas para sua segurança econômica. Grosso modo, atuam como a poupança da pessoa física, sendo utilizadas para superar dificuldades econômicas momentâneas causadas por fatores internos ou externos.
Deixando claro: somente países com economia controlada e bem direcionada conseguem produzir reservas e paulatinamente aumentá-las. Apesar do primitivismo da analogia, pense em sua própria situação: você somente consegue efetuar depósitos na poupança quando o total de suas despesas mensais obrigatórias é menor do que a sua renda.
Ao assumir sua primeira presidência da República, em janeiro de 2003, após o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, Lula encontrou o país com reservas internacionais líquidas de apenas US$ 16,3 bilhões. As reservais totais eram de US$ 49 bilhões, mas desse total devem ser descontados os valores emprestados pelo FMI, que, obviamente, não representam poupança do próprio país, mas dívida a ser paga. Portanto, notadamente para um país com as dimensões do Brasil, tratava-se de situação econômica extremamente delicada, na qual praticamente não havia poupança nacional para eventuais momentos de crise. Bastaria um espirro econômico e iríamos à falência.
Todavia, após dois mandatos de Lula e pouco mais de um mandato de Dilma, antes de ser injustamente impedida, essas reservas saltaram para US$ 362 bilhões (vide quadro em O Globo: https://oglobo.globo.com/economia/em-2003-cenario-economico-brasileiro-era-pior-que-agora-15596979). Além disso, toda a dívida com o FMI foi quitada por Lula, afastando de nós essa espada de Dâmocles que pairava há décadas sobre nosso país.
Ao assumir a presidência em maio de 2016, após o golpe contra Dilma, Temer dela herdou reservas internacionais no valor de US$ 376,12 bilhões (vide Banco Central em: https://www.bcb.gov.br/reservas/port/2016/rp20160504.asp?frame=1).
Em janeiro de 2019, Temer entregou para Jair Bolsonaro um total de US$ 374,7 bilhões em reservas internacionais. Isso significa que houve uma perda de quase US$ 2 bilhões de reservas em cerca de dois anos e meio de mandato presidencial, donde se conclui que, mantida essa média, a perda seria de mais de US$ 3 bilhões se o seu governo tivesse quatro anos. Destaca-se que não ocorreu nenhum crise internacional significativa durante o governo Temer.
Apesar da péssima gestão econômica de Temer, ainda assim, ao tomar posse, Bolsonaro recebeu um valor de reservas confortável para o país, herança dos governos petistas.
Em janeiro de 2023, Bolsonaro passou ao terceiro governo Lula reservas internacionais no valor aproximado de US$ 331 bilhões (vide gráfico do Banco Central: https://www.bcb.gov.br/estatisticas/detalhamentoGrafico/graficosestatisticas/reservasInternacionais), o que significa perda substancial de quase US$ 44 bilhões em nossas reservas internacionais, ou seja, US$ 11 bilhões por cada ano de seu mandato.
Somados os governos Temer e Bolsonaro, nesses seis anos e meio as perdas em reservas internacionais chegaram a cerca de US$ 46 bilhões em valores absolutos, sem considerar as perdas inflacionárias (6,29% em 2016, 2,95% em 2017, 3,75% em 2018, 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 10,06% em 2021, 5,79% em 2022) e cambiais (dólar a R$ 4,02 em janeiro de 2016 e a R$ R$ 5,28 em dezembro de 2022), o que faria essa perda em reservas, já por si imensa, mesmo se considerada sua expressão bruta em dólares, aumentar de forma espetacular.
Caso Bolsonaro fosse reeleito, e mantida sua média anual de decaimento das reservas, as perdas chegariam a US$ 90 bilhões.
No entanto, o Brasil foi salvo pela eleição de Lula para o terceiro mandato. Logo no primeiro ano de seu terceiro mandato, nossas reservas internacionais voltaram ao patamar de quase US$ 354 bilhões, recuperação de US$ 23 bilhões em nossa poupança nacional.
Em agosto de 2026, nossas reservas internacionais acumuladas chegaram a quase US$ 373 bilhões, valor esse superior em quase US$ 3 bilhões sobre as reservas acumuladas do mês anterior, julho de 2026, o que indica que as reservas internacionais se encontram em processo de crescimento (vide gráfico do Banco Central em: https://www.bcb.gov.br/estatisticas/detalhamentoGrafico/graficosestatisticas/reservasInternacionais).
As reservas atuais garantem ao próximo governo algum equilíbrio ao Brasil durante algum tempo, ainda que um governo neoliberal venha a ser eleito. Mas, não por muito tempo.
Reduzir o montante das reservas internacionais é ação típica de políticas econômicas neoliberais implementadas em países periféricos como o Brasil. Nossas riquezas são espoliadas pelos países centrais; para compensar as perdas, lança-se mão das reservas, enquanto duram; quando acabam, tomam-se empréstimos condicionados e viramos devedores e reféns do FMI ou algo parecido. Foi assim no passado e possivelmente voltará a ser. Na Argentina, já é assim. Caso adotado o modelo argentino, isso ocorrerá aqui de forma ainda mais brutal do que no passado. A depender do tempo em que a extrema direita permanecer no poder, voltaremos à condição de devedores do FMI ou instituição similar.
Isso possui profundas implicações em nossa economia, que deixa de possuir mecanismos de controle para as flutuações da economia mundial, crises e ataques especulativos contra nossa moeda por países estrangeiros ou investidores abutres nacionais e internacionais.
Basicamente, todas essas previsões produzem efeitos negativos na produção e no comércio interno e externo, com impactos igualmente negativos em emprego e renda. A partir disso, é possível supor que mais advogados, engenheiros e outros profissionais liberais se vejam na necessidade de se tornarem empreendedores parceiros da Uber.
Guardem essas previsões e, no futuro, quando ocorrer, se eleito o Zero Um, não culpem crises, guerras ou os “comunistas”. A crise existe de fato mas precede a eleição; ela é de ordem moral, é ética. A crise foi criada por você que deixou de comparecer às urnas ou compareceu para o ato abjeto de optar pelo impensável, dar um tiro no próprio pé.
Não há como impedir totalmente o estrago já feito. O único fator capaz de reduzir o prejuízo coletivo, cujo curso já se iniciou, seria a reeleição de Lula. No comando da política econômica e de parte substantiva do orçamento, poderia tentar mitigar os efeitos daninhos das alterações legislativas prejudiciais para o povo que certamente virão, não tenham dúvida. Porém, com dito, nem Lula será capaz de impedir por completo o furacão legislativo que virá.
Sinceramente, reluto em desejar isso para Lula. Aos 80 anos, embora forte e saudável, teria que lutar contra poderosíssimas forças da extrema direita até os 84 anos de idade, correndo o risco de sofrer um impeachment fajuto ou até ser novamente preso através de lawfare. Lula já deu muito ao Brasil, não merece isso. Merece descanso, merece paz e merece o que inevitavelmente ocorrerá: o reconhecimento histórico de sua passagem pela vida pública brasileira.
Por toda a sua trajetória, Lula merecia ter encerrado sua carreira com uma inédita vitória no primeiro turno, de forma incontestável e com a eleição conjunta de senadores e deputados de sua base de apoio. A merecida retribuição por ter dedicado toda a sua vida ao povo e ao país seria, pela primeira vez, não ter que se render aos caprichos de políticos profissionais e patrimonialistas ao estilo “centrão”. Isso não somente não ocorreu, como esse tipo maligno de parlamentar acaba de pipocar aos montes, eleitos ou reeleitos, ao estilo dos “gremlins”, que se multiplicam descontroladamente ao receber água em suas costas ou quando são alimentados após a meia-noite, situações que, nesse caso, são simbolizadas pelos votos que receberam.
O povo escolheu um caminho diferente; preferiu votar massivamente em um candidato notoriamente envolvido em denúncias de ligação com as milícias e com o crime organizado; de alguém investigado por utilizar sua chocolataria para lavar dinheiro sujo; com alguém que, na condição de senador da república, correu de Brasília até o Rio de Janeiro para, dando uma carteirada de advogado-senador, impedir a prisão do assassino de uma menina inocente de 5 anos de idade atingida por dois tiros de fuzil.
A maioria dos eleitores decidiu, e como dito pouco importam suas razões, trocar Lula, não por outro político de mesma estatura, mas por alguém que nada representa além de um simples sobrenome. Ante tal demonstração de “geleca” ideológica, fosse o Zero Dois, Zero Três, Zero Quatro ou a “Fraquejada”, esse mesmo sobrenome receberia idêntica quantidade de votos. Por conta do sobrenome, os eleitores optaram por um nepobaby sem experiência administrativa alguma; por uma pessoa que, sendo parlamentar há décadas, nunca produziu sequer uma só lei significativa para o povo. Definitivamente, votaram em um nada, como votariam no macaco Tião Bolsonaro, no rinoceronte Cacareco Bolsonaro ou, peço desculpas ao comediante, mas só para ficar nos votos de protesto, no Tiririca Bolsonaro, com a diferença de que o bordão seria “vote zero um; muito pior que está, fica”.
Faz parte da democracia e temos que aceitar, mas isso em nada deixa o episódio menos desolador e frustrante. Nem mesmo uma vitória no segundo turno apagará essa falha coletiva. Será um paliativo, se ocorrer, mas não uma reparação.
Desde a noite do dia 04 de outubro de 2026, o eleitorado brasileiro entrou em dívida histórica com Lula e jamais será capaz de quitá-la, mesmo que ele seja reeleito.
Seja como for, o eleitor fez sua democrática escolha e, por conta disso, o futuro próximo é bastante sombrio.
Só resta desejar que o destino seja o mais leve possível para todo o povo, inclusive para aqueles que decidiram votar em greemlins e no Cacareco.
Marcio Valley é formado em Direito pela UFF, com pós-graduação em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho
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