O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou nesta quarta-feira (2) a sanção da lei que amplia a oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS). Em discurso durante a cerimônia, Lula apresentou a medida como parte de uma política de redução das desigualdades no acesso à saúde e defendeu que investimentos na área sejam tratados como prioridade, e não como despesa.
A nova legislação prevê a ampliação da oferta de trombolíticos, inclusive nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Os medicamentos dissolvem coágulos que podem provocar infarto agudo do miocárdio e AVC isquêmico e, quando administrados rapidamente e conforme indicação clínica, podem aumentar as chances de sobrevivência e reduzir sequelas.
Lula associou a medida à criação e expansão de políticas de atendimento de urgência que marcaram seus governos, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e as UPAs.
Presidente critica conceito de “gasto” em saúde
Lula também voltou a criticar a forma como o debate orçamentário costuma classificar despesas sociais. “Cuidar da saúde é uma coisa que a gente precisa parar de utilizar a palavra gasto. Tudo que a gente vai fazer, a gente trata como gasto e nunca como investimento”, afirmou o presidente.
E completou: “No orçamento, tudo que a gente faz, a educação é gasto, a saúde é gasto, a única coisa que não é tratada como gasto é o pagamento de juros.”
Trombolítico busca reduzir o tempo de resposta ao infarto e ao AVC
Os protocolos do SUS já preveem a utilização desses medicamentos em situações de urgência e emergência, inclusive em UPAs, mas a aquisição é atualmente realizada pelos gestores locais.
O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano. Em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos por AVC, dos quais 218 mil foram relacionados ao AVC isquêmico.
A rapidez é decisiva nesses casos. No infarto, os trombolíticos podem ser utilizados principalmente quando procedimentos de maior complexidade, como a angioplastia, não estão disponíveis dentro do tempo recomendado. No AVC isquêmico, a indicação também depende da avaliação clínica e dos protocolos assistenciais.
O atendimento poderá começar em unidades mais próximas da população, enquanto a continuidade do tratamento é organizada na rede de referência.
Samu já utiliza trombolítico em parte do país
O Ministério da Saúde possibilita desde 2014 o repasse de recursos para utilização do trombolítico tenecteplase pelo Samu 192. O medicamento pode ser administrado por equipes de Suporte Avançado de Vida habilitadas, de acordo com avaliação clínica e protocolos.
A cerimônia também marcou a assinatura, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, da portaria que cria um comitê para acompanhar a implementação das linhas de cuidado de AVC e infarto, com a missão de propor medidas para ampliar o acesso aos medicamentos e qualificar o atendimento aos pacientes.