
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pediu na noite de quarta-feira (26) para prestar depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa solicitou que ele fosse ouvido com urgência e, na manhã seguinte, Vorcaro depôs ao juiz auxiliar do ministro André Mendonça, João Moreira Azambuja, sem a presença de agentes da Polícia Federal.
Segundo Juliana Dal Piva conta no ICL, durante o depoimento, Vorcaro afirmou que vinha sofrendo um processo de intimidação e ameaças dentro da PF.
O banqueiro, porém, não apresentou elementos que corroborassem as acusações. Ao ouvir o relato, Azambuja afirmou que tinha “empatia” pela “coragem” de Vorcaro em fazer as acusações.
Segundo Vorcaro, policiais teriam dito a ele que sua tentativa de colaboração não era aceita porque o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, havia participado de eventos organizados pelo Banco Master. O banqueiro não apontou, entretanto, qualquer pagamento feito a Rodrigues. Além disso, nas tentativas anteriores de colaboração apresentadas por sua defesa, não havia acusações contra o chefe da Polícia Federal.
Procurada, a defesa de Vorcaro, conduzida pelo advogado Daniel Bialski, afirmou que não comentaria. Andrei Rodrigues também não respondeu aos contatos da coluna.
Depoimento ocorreu em meio a investigação sobre mensagens com Moraes

O depoimento ao juiz auxiliar de Mendonça ocorreu na mesma semana em que o ministro determinou à Polícia Federal uma análise específica das mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
O pedido foi feito por Mendonça na segunda-feira (24 de agosto). A PF recebeu prazo de 72 horas para produzir o relatório, que ficou pronto na quinta-feira (27), justamente no dia em que Vorcaro prestou depoimento ao juiz auxiliar do gabinete de Mendonça.
Naquele mesmo dia, o depoimento que Vorcaro prestaria à Polícia Federal acabou não ocorrendo. Segundo a versão apresentada, houve um problema técnico.
A existência do depoimento ao STF foi revelada na tarde desta quarta-feira (2) pela colunista Bela Megale, de O Globo. Após a publicação, o gabinete de Mendonça divulgou uma nota para explicar as circunstâncias da audiência.
Segundo o gabinete, o depoimento ocorreu por “requerimento expresso da defesa do depoente”, que relatou estar sofrendo “graves intimidações” e pediu para ser ouvido com urgência. A nota classificou o procedimento como “ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar”.
Gabinete de Mendonça explica ausência da PF
O gabinete também afirmou que a participação do Ministério Público foi observada, conforme exigência legal. Sobre a ausência da Polícia Federal, argumentou que as normas do Conselho Nacional de Justiça estabelecem o afastamento da equipe responsável pela investigação em determinados atos de oitiva como forma de preservar a integridade física e psicológica do depoente.
A nota citou a Resolução CNJ nº 213/2015, com alterações promovidas pela Resolução nº 562/2024. Segundo o gabinete, como o depoimento foi motivado por um relato de “graves intimidações”, a ausência de agentes da PF seguiu essa diretriz de proteção e não decorreu de uma decisão de conveniência.
O gabinete de Mendonça informou ainda que o depoimento permanece sob sigilo e que não houve menções ao ministro Alexandre de Moraes durante a oitiva.