
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está sendo aconselhado por governadores a endurecer o discurso sobre segurança pública no segundo turno. A recomendação é falar diretamente sobre a prisão de criminosos e o enfrentamento às organizações criminosas, reduzindo o espaço dedicado às explicações sobre a PEC da Segurança Pública. As informações são do jornalista Fabio Graner, em coluna no Globo.
Um dos governadores que sugeriram a mudança foi Rafael Fonteles (PT), reeleito no Piauí. Ministros também apoiam uma abordagem mais firme. A ideia defendida pelos aliados é insistir na mensagem de que “bandido bom é bandido preso”, associando o combate ao crime à proteção de quem precisa trabalhar e circular pelas cidades.
A segurança pública é considerada um dos temas centrais para tentar recuperar votos na disputa com Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação desses interlocutores é que Lula precisa apresentar o que pretende fazer de maneira mais objetiva, sem concentrar suas intervenções na tramitação da proposta constitucional. O endurecimento sugerido diz respeito à comunicação da campanha mas ainda não existem novas medidas de segurança já decididas pelo governo.
Outro eixo da mudança envolve corrupção e ética. Auxiliares defendem críticas mais fortes ao Supremo Tribunal Federal (STF), após Lula afirmar, na segunda-feira (5), que sua campanha carrega nas costas a “promiscuidade” que, segundo ele, se estabeleceu na Corte. Segundo Graner, o presidente demonstra preocupação com a possibilidade de esse caminho resultar em um pré-julgamento de ministros.
Lula fala que ele carrega o fardo da “promiscuidade do STF” pic.twitter.com/F9U9IT3RH1
— deok (@lauricadeok) October 5, 2026
Na área fiscal, há propostas diferentes entre os auxiliares. Uma ala considera que dar maior protagonismo ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) poderia sinalizar contenção de gastos em um eventual novo mandato. Outra entende que o próprio Lula deve mudar o discurso, abandonando expressões como “babaquice de superávit primário” e assumindo um compromisso mais explícito com a estabilização da dívida pública.
Esse ajuste enfrenta uma tensão dentro da estratégia eleitoral. Ao mesmo tempo que parte dos aliados pede uma mensagem de maior rigor fiscal, a campanha de Lula passou a atacar a promessa de cortes de gastos de Flávio Bolsonaro, apresentada como “Tesouraço”. A ofensiva petista procura associar a proposta do adversário à perda de direitos e de políticas sociais.
Na reunião de coordenação realizada na segunda-feira, governadores e parlamentares eleitos receberam metas para ampliar a votação em suas regiões. No Nordeste, a orientação relatada é buscar um aumento de pelo menos três pontos percentuais, sem deixar de disputar votos no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A aposta dos interlocutores é concentrar a reação na comunicação, nas redes sociais e na mobilização de rua.