O presidente Lula criticou a atuação do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), contra o avanço no Senado da proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1.
“Ontem o Brasil testemunhou, mais uma vez, quem é quem no Congresso Nacional. Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, disse o presidente.
Por conta da obstrução dos bolsonaristas, o governo avaliou que não havia segurança de votos para aprovar nesta quarta-feira (2) a proposta no plenário, onde eram necessários o mínimo de 49 votos.
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Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o governo conquistou uma vitória ao aprovar a PEC por 23 votos favoráveis e 4 contrários
“É importante que o Brasil saiba quem está trabalhando para avançar com essa mudança e quem está tentando impedir uma conquista que pode garantir um dia a mais de descanso sem redução de salário”, diz Lula.
Segundo o presidente, as justificativas são sempre as mesmas: “Se a gente aprovar, o Brasil ‘quebra’. Do mesmo jeito que ia ‘quebrar’ quando os trabalhadores conquistaram o direito às férias. Quando tiveram direito ao 13º. Uma história que se repete desde os tempos do fim da escravidão”.
“O que quebra de verdade é a saúde mental do trabalhador com essa escala. O que quebra qualquer família é a sensação de não poder acompanhar os filhos crescerem. Viver para trabalhar, e não ter vida além do trabalho. Desmotiva. Mina a produtividade”, acrescenta.
Ele diz que os brasileiros e brasileiras que trabalham seis dias por semana e, muitas vezes, dedicam o sétimo aos afazeres domésticos, já cansaram de esperar. “Estamos com vocês. Seguimos mobilizados. Pelo fim da escala 6×1!”, avisa.
Congresso
No Congresso, a reação também foi de indignação. O deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE), o primeiro parlamentar a propor PEC para redução da jornada de trabalho após a Constituição de 1988, diz que a extrema direita tenta impedir que o Senado vote o fim da escala 6×1.
“Quer adiar o descanso de milhões de brasileiros. Defendo a redução da jornada desde 1995 e não vou recuar. Vamos pressionar pela votação no plenário! Quem trabalha merece tempo para viver”, afirma o deputado.