Lista de passageiros de jato de Vorcaro recebe sigilo de 100 anos

Avião Falcon 7X de Daniel Vorcaro apreendido no Aeroporto de Guarulhos
Jato Falcon 7X de Daniel Vorcaro no pátio do Aeroporto de Guarulhos. Foto: Reprodução

A Força Aérea Brasileira (FAB) impôs sigilo de 100 anos à lista de passageiros do jato do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O Comando da Aeronáutica negou o acesso aos dados solicitados pela Lei de Acesso à Informação (LAI) e alegou a necessidade de proteger a intimidade e a vida privada dos ocupantes da aeronave. Com informações do Metrópoles .

O pedido buscava o plano de voo do avião de prefixo PS-FST entre 10 e 20 de novembro de 2025. Nesse período, Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos quando se preparava para embarcar em um Falcon 7X com destino a Malta, na Europa.

A FAB afirmou que o itinerário de uma aeronave identificada, em datas determinadas, pode associar os deslocamentos a dirigentes, sócios e demais usuários. Para o órgão, o cruzamento dessas informações com registros públicos permite identificar pessoas naturais e afeta sua privacidade.

O Comando da Aeronáutica também sustentou que a sequência de planos de voo de um mesmo avião possibilita rastrear deslocamentos e construir um perfil dos passageiros. A resposta invocou o artigo 31 da LAI, dispositivo que permite restringir dados pessoais por até um século.

Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

Outros órgãos federais também aplicaram sigilo centenário

O uso do mecanismo não se restringiu ao caso de Vorcaro. O Exército negou, em agosto, a divulgação da lista de escolha para promoção de oficiais-generais encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sob o argumento de que os documentos envolvem dados da vida profissional dos militares.

O Comando do Exército também aplicou sigilo de 100 anos a eventuais comunicações entre militares e a Palantir, empresa de análise de dados contratada pelo governo dos Estados Unidos. A companhia mantém contratos que podem chegar a US$ 10 bilhões com o governo americano.

O Banco do Brasil usou a mesma regra para não revelar os nomes de visitantes da presidência da estatal. A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) barrou a divulgação de autoridades, servidores e agentes públicos que participaram de serviços de treinamento para a imprensa desde 2021, vinculados a um contrato público.

Dados do painel da LAI da Controladoria-Geral da União apontam que o governo federal negou cerca de 5,6 mil pedidos desde 2023 sob a justificativa de conter dados pessoais. No governo de Jair Bolsonaro (PL), foram 7,1 mil negativas com base no mesmo dispositivo; durante a campanha de 2022, Lula prometeu acabar com o sigilo de 100 anos, mas a previsão legal continua em vigor.

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