
A primeira pesquisa Quaest para o segundo turno presidencial aponta empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Flávio tem 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento ouviu 2.154 pessoas entre sábado e terça-feira. Outros 9% afirmaram que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer às urnas, enquanto 1% se declarou indeciso.
A diferença numérica repete quase exatamente o resultado do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio recebeu 47% dos votos válidos e Lula, 45%. A pesquisa indica que a adesão de candidatos derrotados à campanha do senador não garante a migração integral de seus eleitores.

Entre os eleitores de Augusto Cury (Avante), 34% agora dizem votar em Lula e 30% em Flávio; outros 30% optam pelo não voto e 6% seguem indecisos. No grupo que votou em Ronaldo Caiado (PSD), Flávio marca 42%, Lula tem 23% e 33% indicam branco, nulo ou abstenção.
Lula lidera entre eleitores que não votaram no primeiro turno

Lula aparece à frente entre quem se absteve, votou em branco ou anulou no primeiro turno, segmento que representa pouco mais de um quarto do eleitorado. Nesse grupo, o petista tem 43% das intenções de voto, ante 38% de Flávio.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avaliou que esse eleitorado pode definir uma disputa apertada. “Dos 7% de eleitores que acabaram votando em alternativas à polarização, a maior parte está optando por Flávio no segundo turno. A exceção é o eleitorado de Cury, que se divide”, disse à TV Globo.
A campanha de Lula passou a concentrar mobilizações e propagandas na tentativa de reduzir a abstenção. O presidente pediu, em ato na Avenida Paulista, que seus apoiadores convençam eleitores que faltaram no primeiro turno a comparecer no próximo dia 25.
Flávio busca ampliar apoios partidários e aposta nos debates e nas redes sociais na reta final. Republicanos, Podemos, União Brasil, PP e Novo declararam apoio ao senador, e 16 diretórios estaduais do MDB também aderiram à candidatura dele.
O recorte regional mantém Lula à frente no Nordeste, com 61%, e Flávio no Sul, também com 61%. O presidente lidera entre beneficiários do Bolsa Família, mulheres e católicos, enquanto o senador tem maior apoio entre evangélicos, homens, eleitores brancos e pessoas com renda acima de cinco salários mínimos.
A Quaest também registrou rejeição elevada aos dois candidatos: 54% afirmaram que não votariam em Flávio, e 53% disseram o mesmo sobre Lula. Quando questionados sobre o que causa mais medo, 43% citaram a reeleição do petista e outros 43% apontaram a volta dos Bolsonaro ao poder.